terça-feira, janeiro 26, 2016

PRECISAMOS FALAR SOBRE ABORTO

É preciso e urgente falarmos sobre aborto.
Enquanto mulher, entendo que não cabe ao Estado o direito de decidir sobre o meu corpo. Essa é uma decisão que deve ser restrita somente a minha pessoa. 
No entanto, no país o aborto é proibido e um grande número de mulheres morrem todos os dias recorrendo a clinicas clandestinas.
Eu sei que esse assunto é pesado, difícil e até polêmico, mas não posso ter um blog e me calar sobre esse tipo de assunto.
O mais comum é ser politicamente correto e dizer-se a favor. É o que as revistas femininas, artistas, intelectuais e formadores de opinião fazem. 
Não sei se são sinceros ou se só desejam parecer que são.
Mas o assunto aborto precisa ter uma discussão séria e abrangente, e honestamente, vejo muita hipocrisia rondando o tema.
Veja, não é um posicionamento teoricamente difícil certo? Somos donos e senhores de nossos corpos e responsáveis por nossas decisões. Sabemos que mulheres recorrem ao aborto por inúmeros motivos, e não me cabe aqui citá-los, cada pessoa tem sua razão nesse processo. Sabemos também que muitas morrem nas mãos da clandestinidade. 
Por outro lado, o Brasil é um país ineficaz em seus planejamentos, e a legalização requer planejamento. Não basta simplesmente legalizar da noite para o dia sem nenhuma estrutura para amparar o procedimento.
Como será feito isso?
Gostaria de poder dizer que será simples e tranquila essa transição do proibido para o sancionado, mas não creio que será.
Minha preocupação não é com o ponto de vista ou opinião simples a esse respeito, porque isso é bastante simples para mim. O que me preocupa é que haja programas esclarecendo os métodos contraceptivos, campanhas reais sobre DST, hospitais credenciados que cumpram seu papel sem burocracia ou constrangimento para as mulheres, e que as jovens não usem a legalização como um agente facilitador para uma vida promíscua.
Conheci mulheres que abortavam com o uso de remédios, simplesmente porque não se preocupavam com as consequências de suas relações sexuais. E faziam aborto pós aborto. 
Existem muitas mulheres que ainda hoje mantém relação sexual com seus parceiros sem nenhum tipo de proteção. 
Por isso a legalização precisa amarrar todos os fios que a contemplam. 
Ficaria muito fácil simplesmente dizer "sou a favor" e fazer pose de legítima feminista.
Mas eu prefiro dizer que a legalização precisa ser parte de um pacote que vá abarcar todas as necessidades das mulheres, entre eles o da conscientização.
Não é uma discussão religiosa, e escorre uma lágrima sincera por quem usa esse argumento para justificar sua opinião.
É uma questão de direitos.
Direitos estes que pertencem a cada mulher e tão somente a estas.
Mas isso por si só não encerra o assunto.

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