domingo, janeiro 24, 2016

O EXERCÍCIO DA SOLIDÃO

Nesses tempos modernos, em que estamos quase que o tempo todo conectados em alguma rede social, dizer que alguém pode gostar da solidão parece até pecado.
Como se a solidão fosse necessariamente uma tristeza.
Acontece que não é.
A solidão é necessária ao ser humano para que possamos compensar o lixo eletrônico que consumimos diariamente. Eu chamo de lixo eletrônico porque a maioria das informações veiculadas não nos servem pra nada. E apesar disso, vivemos conectados em facebook, instagram, youtube, twitter, snapchat, e outras mais...
Eu mesma estou sempre com o celular na mão checando alguma coisa, quando na verdade não há nada para checar que não seja saber alguma coisa sobre a vida alheia. Vida alheia de gente que eu nem conheço pessoalmente, o que é bem pior. 
E não é o que fazemos?
Seguimos pessoas que provavelmente nunca vão nos dar sequer um "bom dia", mas isso não faz a menor diferença, o importante é estar conectado e saber sobre a vida de todo mundo de alguma forma.
Quando penso nisso, me deprimo.
Que conceito de felicidade estou produzindo na minha vida? 
Por isso, permanecer quieto, em solidão, pode significar resgatar sentimentos verdadeiros, mais íntimos, mais producentes.
Algumas pessoas se sentem mal se não postam alguma foto no instagram todo dia, ou se não gravam um vídeo, snapchat ou algo do tipo. Acaba virando meio que sindrômico isso.
O jornal de ontem por exemplo nem é mais lido, as notícias e os acontecimentos precisam ser atualizados segundo a segundo, por isso ficar conectado no twitter é quase uma religião.
E o nosso espanto quando encontramos alguém que não tem facebook? Como alguém não tem facebook? 

Por estes e outros motivos, manter-se em reclusão, ainda que temporária, é um exercício necessário para a nossa lucidez. Somente no silêncio da solidão podemos perceber a estupidez inerente de nossos atos ridículos, avaliar nossos reais sentimentos e perceber nossa real significância na vida. Essa avaliação quando bem feita, pode ser chocante. Podemos nos perceber um tanto quanto idiotas, e podemos ainda notar que, até na rede social há de se ter uma certa inteligência e bom senso.
Solidão não é sinônimo de sofrimento ou de tristeza. Muitas pessoas optaram por viverem desta forma e são felizes em seus recolhimentos. São pessoas que adquiriram o hábito da introspecção, preferem ler um livro à percorrer os aplicativos de um celular. Preferem trocar ideias com poucas, mas reais pessoas à interagir com mil pseudo amigos do facebook. 
E há de se respeitar essa escolha.
Não podemos achar que pessoas não adeptas as redes sociais são alienadas. Na verdade, podemos perceber que os alienados muitas vezes somos nós mesmos. 
Não faço o discurso de desapego a modernidade, ou demonizo os usuários da rede, apenas prego a urgente necessidade de olharmos a forma como nos utilizamos dela. Não podemos ser marionetes de nós mesmos, e quando peço um exercício e uma análise da nossa estupidez, insiro aqui a minha própria estupidez.

Como dizia minha finada vó: cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém.
Sinta-se a vontade para substituir a canja por um prato que lhe apeteça mais, no entanto é prudente manter a cautela.



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