quarta-feira, janeiro 27, 2016

A MÃE QUE HABITA EM MIM

Daí que os filhos crescem.
Você nem percebe de fato como isso acontece. Num momento estão gritando e esperneando por mais um pouco de colo, e no outro momento já estão se matriculando na faculdade, trazendo namorado(a) em casa e participando ativamente das decisões da sua vida.
Sim, aqui em casa meus filhos palpitam sobre a minha vida - graças a Deus- porque a lucidez deles é mil vezes melhor que a minha. 
Quando meus filhos eram pequenos, eu queria que eles crescessem rápido, porque criança pequena interage de maneira diferente de um adolescente. Eu prefiro ser mãe de adolescentes e adultos do que de crianças. E não vejo crime maternal nisso.
O café da manhã é agitado, sempre tem algum caso para ser discutido, seja uma manchete do jornal ou o capítulo da série que passou na noite passada. Tem ainda todas as teorias da conspiração que habitam o planeta, a volta de Arquivo X, músicas que acabamos de redescobrir e os planos para o final de semana: "vamos fazer cachorro-quente?" 
E também fazemos visitas nas livrarias compartilhando a descoberta literária de cada um, discutimos sobre o livro que jamais deixaremos de amar, apesar de ser um saco para ler, iremos num sebo comprar outros tantos livros e reservaremos outros tantos. 
Divido minhas dúvidas capilares com minha filha e discutimos sobre as melhores colorações do momento, cremes e máscaras de hidratação. Vamos juntas comer um hamburgão e depois tomamos suco detox para aliviar a comilança.
Tento ajudar meu filho a resolver qual vai ser sua grande descoberta genial que trará um nobel para o Brasil, enquanto acompanho as investidas fashionistas das meninas costurando roupinhas para todas as suas bonecas. 
Aprendo a "gostar" do namorado(a) do filho(a), e acreditem, as mães sempre acham que seus filhos são muito melhores que os filhos das outras mães, e vice versa. 
Me encanto com a capacidade com que meu filho lida com as dificuldades de seu trabalho, sem nunca reclamar da vida por isso.
Me descabelo e choro no colo deles, numa total inversão de papéis, e fico grata por abraços tão sinceros.
Ser mãe de pseudo-adultos é maravilhoso. 
Eu ainda me lembro dos primeiros passinhos e palavras (mais ou menos confesso), mas adoro o bate-papo que rola informalmente. E quando o assunto pede seriedade, acho formidável poder ouvir e ser ouvida, criar diálogos que nos aproximam e nos tornam mais cúmplices do que já somos.
O desafio de educar é mesmo incrível, e quando a criança começa a trocar conhecimento com você, a experiência de ser mãe é algo muito sublime. 
Acho muito lindo mães que preferem seus filhos bebês, ou que apreciam cada fase do crescimento. Eu sempre quis pular da maternidade para a etapa do "andando e comunicando".
Quando vejo uma criança se jogando no chão de alguma loja, esperneando e gritando, penso: " Meu Deus como eu sou feliz!"
Meus sinceros respeitos á todas as mães que estão amamentando, trocando fraldas e vendo seus pupilos dando os primeiros passinhos. Mas não troco meu lugar com elas nem em um milhão de anos. 
Sendo bem sincera, acho chato e exaustivo ser mãe de crianças muito pequenas. Prefiro o conflito de ideias, as mil perguntas que nunca acabam, os questionamentos e as conversas trabalhosas.
Que me julguem se assim quiserem, não ligo para isso.
Sou mãe de cinco pessoas maravilhosas, e isso é tudo o que 
importa.

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