sexta-feira, dezembro 11, 2015

QUANDO O TEMPO PARECE NÃO PASSAR RÁPIDO O BASTANTE

Fica difícil descrever em palavras o sentimento da tristeza.
Muitas vezes a vida nos dá uma rasteira tão grande que nos emudece.
Um amigo me disse que não é possível para uma pessoa descrever com propriedade, algo pelo qual ela nunca tenha passado.
Eu concordo com ele.
Esse meu amigo já foi internado em uma clínica psiquiátrica quando jovem por transtorno bipolar. Ficou um mês internado e isso foi suficiente para marcá-lo pela vida toda.
Eu nunca fui internada, mas por questões de política do SUS, porque se eu tivesse o dinheiro que esse meu amigo tem, com certeza no auge da minha crise teria ido para uma clinica particular também. E não que isso seja uma coisa boa, porque nunca é, mas te salva de cometer várias besteiras.

Eu sinto minha vida mudando de forma drástica há algum tempo.
Começou com as licenças médicas e perícias por conta da doença e depois se agravou com a questão do trabalho. 
Estou sem acompanhamento médico no momento, sem terapia, e só com os medicamentos que mantenho no meu estoque particular. Por questões também políticas, minha psiquiatra não atende mais no CAPS e o médico que me atenderia na UBS também foi embora. Apesar de haver uma substituta no CAPS não conseguem me encaixar e minha terapeuta me acha inteligente demais para ocupar sua agenda, principalmente tendo pacientes com esquizofrenia. Porém o que ninguém parece perceber, é que eu realmente preciso da terapia. Apesar de ter dificuldades para falar dos meus sentimentos, preciso de alguém, que não seja amigo ou familiar, para me colocar nos eixos, ou posso enfiar os dois pés na jaca nesses momentos de baixa que a doença traz consigo.
Só uma pessoa com algum tipo de transtorno mental é capaz de entender o que quero dizer. Ou em outras palavras, só um louco para entender outro.

Enfrentar esse dragão sozinha está sendo barra pesadíssima, mesmo para mim que faço um esforço imenso para não cometer nenhuma bizarrice.
Sei que este é um assunto difícil de entender, essa tristeza e agonia que me acomete não é para principiantes, é algo duríssimo e que eu tento superar um pouco a cada dia. Mas sem ajuda está muito difícil.
Partilhar isso com a minha família é um fardo muito injusto.
Estou atolada em coisas que eu mesma cavei por falta de maturidade, escolhas erradas, enfim, culpa (e eu detesto essa palavra) exclusivamente minha, mas como todo louco, as estradas escolhidas comprometem todos que nos cercam, a loucura acaba sendo disseminada em todo mundo, e todas as pessoas que voce ama acabam tão doentes quanto seu portador.

Muito difícil compartilhar isso.
Para aonde minha vida está se encaminhando é uma pergunta que me faço todos os dias.
Tenho medo de perder minha capacidade de escrever, sempre acho que poderia ter escrito de maneira mais compreensível, mas quando sua mente está envolta por um turbilhão de ideias e acontecimentos, só nos resta agradecer por ainda conseguir juntar dois mais dois.
Esse é o meu momento, e provavelmente eu ainda o viva por pelo menos mais dois meses.
Espero sobreviver a ele e permitir que minha família permaneça ilesa a isso tudo.

Quando eu fazia terapia, convivia na sala de espera com dependentes químicos, pessoas com esquizofrenia, e todo tipo de transtorno mental. Havia pessoas que falavam sozinhas e vestiam roupas de inverno em pleno verão paulistano. Muitos familiares acompanhavam de perto e era notório o sofrimento de todos eles. A incompreensão dos estágios da loucura é algo perturbador. 
Como eu disse, só um louco para compreender outro. Só quem já passou por uma internação psiquiátrica ou foi diagnosticado sabe a dor que é viver isso tudo. 
Eu gostaria de ter mais dias de sorrisos e conseguir dormir sem depender de remédios. Gostaria de não ter que colocar o celular para despertar, só para que eu não me esqueça da medicação. Gostaria de não ter que tomar, nunca mais, remédio nenhum. E de não ter que fazer acompanhamento psiquiátrico.
Mas essa é a minha vida.
Todas essas complicações fazem parte dela.
Cada pedacinho compilado aqui, traduzem um pouco do meu momento.
Eu sei que haverá o momento em que finalmente saio do casulo e alcanço o horizonte mais além, tal qual as borboletas tatuadas no meu ombro esquerdo.
Só gostaria que esse dia chegasse logo, porque a espera é enlouquecedora.

areia



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