quinta-feira, novembro 05, 2015

SOBRE " EU ODEIO MEU CORPO"

Eu escrevi um post falando sobre a questão da aceitação do corpo há alguns anos atrás.
E fiz um vídeo lá no youtube também (já conhece nosso canal valmais5?), e eu nunca podia imaginar que fosse render tanto assunto.
Tudo começou porque uma garota de 17 anos me enviou um comentário em que ela dizia literalmente "odeio meu corpo"e fazia umas abordagens estranhas sobre o assunto, até polêmicas mesmo. Eu me vi na obrigação de interagir com essa garota, mesmo desconhecendo completamente o peso dela, e tentei fazer com que ela entendesse que, durante a adolescência é muito comum haver oscilação nesse sentido, e que os nossos sentimentos se tornam confusos. Principalmente porque a mídia projeta uma imagem de corpo ideal que só cabe em anúncio de revista ou passarela de moda. Ninguém na vida real precisa pesar 45kg. E independente do caso, aumento ou perda excessiva de peso, é necessário gritar por ajuda quando percebemos que perdemos o controle de nosso corpo, nossas emoções e sentimentos.
Não sei o que aconteceu com essa garota, mas gosto de acreditar que deu tudo certo.
Pois eis que recentemente, recebo outro comentário deste mesmo vídeo, em que outra garota diz que "já odiei meu corpo, mas agora aprendi a gostar mais dele", e me bateu um clique: precisamos falar mais sobre esse assunto.

Precisamos ter uma discussão séria sobre o que significa aceitação, e o que significa intervenção. Sim, há casos em que é necessário haver uma certa intervenção sobre a maneira como nos comunicamos com nosso corpo.
Há pessoas que estão acima do seu índice de massa corporal e consequentemente, prejudicando a sua saúde. Muitas estão nessa condição porque não entendem que o nosso metabolismo muda com o tempo, e todas as bobagens ingeridas vão acabar se alojando em uma parte ou outra de nosso corpo. Outras, estão com sobrepeso por questões genéticas, culturais,  e precisam de intervenções cirúrgicas. E há ainda um grupo de pessoas que são magras, estão dentro de um peso considerável saudável para o seu biotipo, e ainda assim nunca estão satisfeitas. O espelho é seu pior inimigo, e sempre há mais uns quilinhos para perder aqui ou ali.

Além de tudo isso, há a questão da doença.
Excesso de peso, anorexia, bulimia, ou qualquer outro nome que se dê para enquadrar a questão.
A mídia tem culpa nisso?
Óbvio que tem.
Todos os dias são veiculados nas redes sociais fotos de celebridades sorrindo e esbanjando sua felicidade margarina com seus ossos saltitantes. São admiradas, tem milhares de seguidores ávidos por seus corpos esquálidos e sua vida incrivelmente perfeita. Parece que tudo se resume a ser magra. Quase um slogan " seja magra e seja aceita".
Nos anos 80 e 90 surgiram as supermodelos, algumas como a alemã Claudia Schiffer tinham curvas, e apesar de magra, se pareciam mais com as mulheres reais, do dia a dia. Tanto que Claudia Schiffer chegou a ser comparada com Brigitte Bardot.
No entanto, também surgiram modelos como Kate Moss nos anos 90, que eram o retrato da magreza, os fashionistas chamavam o estilo de Kate de " heroin chic" por apresentar um visual mais desleixado, meio típico de quem era adepto de drogas consideradas cool na época. E Kate era reconhecidamente muito magra.

Você pode não ter vivido essa época, mas acredite, vive na esteira de todas elas.
As modelos e celebridades de hoje, seguem a cartilha a risca, e adoram adotar uma postura de "nasci assim", quando na verdade há muita doença envolvida.
Dificilmente você vai encontrar no seu bairro uma mulher de mais de 20 anos vestindo uma calça tamanho 34.
Isso só cabe(?) no mundo da moda.
Existem casos em que a genética realmente favorece a pessoa, eu sou um exemplo disso. Tenho 47 anos, tive 5 filhos e peso 50 kg. Mas eu fiz uma reeducação alimentar, fiz pilates, e herdei traços genéticos do meu pai, que sempre foi magro. No entanto, minha irmã é gordinha, já fez dietas malucas e só emagreceu quando fez uma intervenção cirúrgica. Ela herdou toda a genética italiana da minha mãe, tem curvas, seios, bunda, como uma mulher normal. E se ela está um pouco gordinha é porque come praticamente todas as porcarias que encontra pela frente, inclusive refrigerante. Neste caso específico, a responsabilidade pelo aumento de peso é só dela.

Mas e as adolescentes?
Como não se fascinar com o universo das blogueiras de moda e seus milhares de seguidores?
É preciso abrir um fórum de discussão séria sobre isso nas escolas. E as famílias precisam se responsabilizar sobre o que colocam na boca de suas crianças.
Comer é um ato de amor com seu corpo.
E seu corpo é seu templo, você precisa cuidar dele com respeito. Isso não é uma doutrinação barata, é uma constatação. Você acaba sendo aquilo que consome.
Aprenda a amar seu corpo por toda a especificação que ele apresenta.
Não se iluda com o universo fashion, muitas das celebridades que você admira são na verdade pessoas profundamente doentes e desequilibradas, mas que dependem de seus corpos excessivamente magros para competir num mercado comercial injusto e inadequado.

Nós não somos meros cabides de roupas.
Somos seres pensantes também, e um cérebro ativo vale muito mais que um manequim 34.
Quando um garoto se aproxima de uma garota ele pode ter olhado inicialmente para o corpo, mas se o cérebro não corresponder, não há magreza, bunda ou peito que segure esse romance.
Faça uma análise crítica sobre o seu corpo e se não estiver satisfeita, procure inicialmente uma ajuda médica. Essa ajuda vai lhe dizer com certeza qual o seu peso ideal. E se, a partir daí você ainda quiser perder alguns quilinhos, novamente converse com seu médico. Ele é seu maior aliado, e vai lhe dar parâmetros sobre como emagrecer e manter a sua saúde em dia.
Mas antes de tudo, ame a si mesma.
Entenda que somos todos diferentes, alguns mais magrinhos e outros mais cheinhos, e a natureza é sábia.
No fim, o que sempre contará mesmo não é o seu corpo, mas o seu cérebro.

amar-nossos-corpos


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