sábado, novembro 28, 2015

PARA VIVER UM GRANDE AMOR #II

Eu sou uma pessoa que vive apaixonada.
Apaixonada pelos meus livros, pelos meus gatos, pela minha família, pelas minhas coisinhas pequenas, tipo maquiagem por exemplo, eu sou muito apaixonada. 
E sentimental também.
Choro a toa, e conforme estou envelhecendo perdi totalmente a vergonha na cara, choro com vontade aonde estiver.
Existem certas coisas que só a idade te permite. Chorar em público é uma delas, vestir o que der na telha é outra, andar descalça, gargalhar feito uma hiena, e amar com maturidade.

Dentre todas, amar com maturidade é a minha preferida.
Quando se tem 20, 30 anos a gente se apaixona e perde o fôlego de maneira descontrolada. Fica uma angústia, um medo irracional de perder a outra pessoa e nos transforma em proprietários da vida alheia. Como se a outra pessoa nos pertencesse literalmente.
É tudo muito sofrido.
Depois dos 40 você entende melhor o amor.
A gente ainda perde o fôlego, mas de uma maneira mais consciente, menos dominadora, mais bonita. Fica mais calmo, mais companheiro, menos dominador, mais cúmplice. Você se descobre dono só de seus próprios sentimentos e respeita isso. Não impõe vontades, não acha que precisa de alguém pra te completar, ou coisa assim. 
Você já é um ser completo,
O amor é maravilhoso mas não te alça a status social nenhum. Ou seja, você também sobrevive sem ele. E tudo bem. Porque a vida pode ter paixão em tantas coisas independentes de um homem...

E essa descoberta leva um tempo para acontecer.
Você não precisa se submeter a ter um homem ao seu lado para ser aceita socialmente, ainda que este homem só te faça sofrer. Você não precisa ter uma suposta metade da laranja para estampar para as amigas o quanto sua vida é maravilhosa. Você não precisa de nada disso para ser feliz e apaixonada pela sua vida.
Você só precisa de você mesma.
Ninguém vai validar sua existência sem ser você mesma.
Coisas que a maturidade nos traz.

Dito isso, vocês podem me perguntar sobre o meu amor, já cantado em verso e prosa.
Sim, eu tenho um grande amor, e ele surgiu sem que eu estivesse procurando por ele, de maneira acolhedora, apaixonante e linda.
E só aconteceu porque eu sabia que podia ser feliz sozinha, porque eu não estava atras de ninguém que desse significado a minha vida. Eu não queria um ínfimo de atenção qualquer. 
E por isso foi amor.
Eu não preciso estar com ele, eu estou com ele porque eu quero estar. E isso muda todo  cenário.
E ele está comigo porque quer estar, então estamos juntos porque queremos ser felizes juntos, sem obrigação de nenhum lado.
Só um querer.
Nós escolhemos estar juntos um com o outro sem precisar estar junto. A escolha da não necessidade é o que constitui o amor.
Quando estamos juntos só transbordamos de amor porque já estamos completos. 
Feito bolo de chocolate com cobertura, que transborda de tão gostosa que é.
Amar assim é delicioso mesmo, mas é um exercício. E a cada dia aprendemos um pouco mais sobre o outro e nos respeitamos mais também.

Então se estamos completos, estamos bem, com ou sem um amor, porque temos a cereja do bolo de chocolate que somos nós mesmos.
E isso também é amor.

eugenia-loli-2

imagem Eugenia Loli

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