quarta-feira, novembro 04, 2015

# MINHA VIDA PARTE 2

Quando decidi "escancarar" minha vida no blog, e falar abertamente sobre meu diagnóstico e minha jornada em educar cinco pessoinhas sozinha, acredite, não foi fácil.
Este blog foi criado em um momento muito difícil, e eu usei esse canal como uma forma de desabafar, um pequeno diário virtual, numa época em que as pessoas ainda caminhavam na internet. Nunca fui uma pessoa interessada em estatísticas, e o fato de eu gostar tanto de escrever, foi um agente bastante facilitador. Então juntei o útil ao agradável.

Lendo a primeira postagem, em 22 de junho de 2010, percebo quanta expectativa eu tinha com a minha vida, e quanto medo do desconhecido também. Naquela época eu já não estava mais sozinha, havia conhecido meu atual marido e estávamos há um ano juntos. Mas a dificuldade dos anos anteriores ainda estava bem impressa em minhas lembranças.
Minha filha de 12 anos tinha meses quando me separei, e foi muito difícil. Além dela, ainda havia outras quatro pessoas para criar e educar, e estávamos sem casa e sem dinheiro. Meu ex marido nos deixou sem nada literalmente, esse era o preço que eu teria que pagar pela separação, algo inpensável numa família tradicional.

Decidi que valia a pena me arriscar e oferecer algo mais digno do que uma tradição aos meus filhos, e abandonei os estudos para trabalhar. Não foi fácil. Houve momentos em que passamos por inúmeras dificuldades, desde financeiras até as mais básicas. Só quem é mãe sabe a dor que é ter um filho te pedindo uma bolacha e você não ter dinheiro para comprar. Dói muito.
Mas todo sacrifício valeu muito a pena.

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Meus filhos cresceram com uma educação sadia, e cientes do quão valioso é cada conquista.
Nunca precisei ir a nenhuma reunião de escola, acompanhar nenhuma lição ou trabalho escolar. Até porque nunca tive tempo para isso trabalhando em dois empregos.
Mas eles sempre foram responsáveis, e cuidaram muito mais de mim do que eu deles.
Tornaram-se pessoas estudiosas, zelosas com a família e muito mais felizes. Ensinei-os desde cedo a ter o gosto pela leitura, e são devoradores de livros. Graças a isso, apesar de terem estudado em escolas públicas, conseguiram entrar nas melhores Universidades - USP e Unifesp - e me incentivaram a retomar os estudos.
Me apoiaram integralmente quando encontrei um novo amor, e amorosamente puderam finalmente chamar alguém de pai.E de fato, meu atual marido se tornou o pai dos cinco, o único que a Nina que hoje tem 12 anos conheceu na vida.

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Se existe algo de que eu me orgulhe e gosto de compartilhar com as pessoas, é que vale a pena buscar a felicidade. Mesmo que ela exija sacrifícios.
Não é fácil ser mulher, separada, com cinco filhos pequenos, dois empregos e ainda sonhar que algum dia vai haver espaço para realização de sonhos pessoais, como voltar a estudar por exemplo. Mas eu venci essa batalha, encontrei um novo amor e estou em busca da minha realização profissional, que virá com o término dos meus estudos, os quais retomei com o estímulo dos meus filhos e do meu marido.
Muitas mulheres tem medo do desconhecido e acham que não serão capazes de vencer os obstáculos sozinha. Mas acredite, é possível. Basta uma dose de coragem e algum incentivo.
Não será fácil.
Eu chorei muitas noites escondida para não assustar meus filhos.
Mas todos somos capazes de um novo recomeço.
Quanto ao diagnóstico de bipolaridade, eu já não o temo mais. Nem suas sequelas.
Sei que todo o estresse que passei na vida me levaram até ele, mas isso não me define.
Sou maior que um diagnóstico.

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Sou uma mulher consciente de suas limitações e de suas capacidades. Sei que minha mente é um turbilhão de coisas, e que as vezes minha fala não acompanha meu raciocínio. Mas sigo meus dias confiante. Alguns são mais difíceis do que outros, e minha impaciência quando alguém não consegue acompanhar meu ritmo está se tornando mais amena.
Somos diferentes.
E que bom que é assim.
E tudo bem se alguém é preconceituoso comigo por algum motivo, nem todos somos capazes de evoluir para um futuro mais digno na mesma intensidade que outros.
Como sou apaixonada por cinema, indico sempre dois filmes que ilustram minhas dificuldades: O Lado Bom da Vida (para se entender sobre a bipolaridade), e qualquer filme que retrate a 2º Guerra Mundial. Minha família é de imigrantes, sobreviventes de uma das maiores atrocidades da história, e com certeza, vale de injeção de ânimo para qualquer pessoa que precise recomeçar.
Seja feliz.

As imagens desse post são de autoria da artista ucraniana Anna Remarchuk

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