sexta-feira, outubro 30, 2015

EXCEPCIONAL

Coisa mais difícil é a gente encontrar alguém que nos ame por quem somos.
Por quem, do verbo ser.
Normalmente as pessoas nos amam pelo que temos ou pelo o que podemos oferecer. Óbvio que isso não é amor, é qualquer outra coisa que não sei nomear agora. E não estranhamente há ainda aquelas pessoas que amamos, e que teimam em nos transformar em algo que elas amem. Óbvio que isso também não é amor, mas muitas pessoas se deixam levar por essa condição por muitos anos, até perderem a identidade e reconhecerem que desconhecem completamente a pessoa que se tornaram.
Quando eu conheci meu marido eu já era uma grande tagarela. Já usava salto alto, tomava vinho e dançava sozinha ouvindo Sinatra e Rolling Stones, já colecionava maquiagens (muitas das quais nunca usei), já era uma péssima cozinheira e dona de casa(isso ainda existe?). Já tinha muitas manias esquisitas, como a de dormir com uma colcha de retalhos cheia de buracos só pra enfiar meu pé nas linhas soltas e falava sozinha. Já vivia cortando meu cabelo de tempos em tempos e adorava tatuagens.
Já tinha uma busca religiosa que me levava pra tudo quanto é canto, já tinha mal humor de manhã e gostava de escrever.  E lia a Vogue e Freud ao mesmo tempo. Andava descalça e passava o fim de semana inteiro usando camiseta e moletom, porque é muito mais confortável.
Meu marido nunca, em tempo algum me pediu pra ser diferente em alguma coisa.
Nunca houve o momento do "ops", aquele em que alguém pede alguma coisa com jeitinho pro outro fazer diferente.
Isso me deu a certeza de seu amor.
Porque o amor está impresso nestes detalhes e não no sexo derruba lustres.
O sexo é um olhar carinhoso, um afago, um dormir junto, um caminhar de mãos dadas, um beijo na testa ao acordar. Sexo é muita coisa além do ato físico entre duas pessoas.
Isso eu aprendi com meu marido.
Não sendo piegas, mas garantindo meu ingresso nesse universo, o amor que nos uniu é aquele que fica pra eternidade. É aquele amor que envelhece junto.
Acredito que esse amor é muito raro.
E por esse motivo, acredito que devo ter créditos com o Universo.
E sou grata por isso.
A maioria passa a vida toda vivendo algo razoavelmente bom, do tipo comum. Eu vivo todos os dias de maneira esplendidamente boa.
Me desculpem os demais, mas meu marido é excepcional.
Vou ter um companheiro muito bacana quando estiver cheia de rugas e com o corpo despencando.
Vou ter um amor.
E isso meu bem, não é pra qualquer um.

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