domingo, julho 05, 2015

O COLECIONADOR DE ALMAS


Como seria viver em um mundo de sonhos?
Eu acredito que um louco saberia responder essa pergunta com bastante naturalidade. O que são os loucos senão grandes sonhadores? Ocorre que em sua maioria são também prisioneiros de seus sonhos, eternos perturbados e impossibilitados de distinguir a realidade de uma ilusão.
O falso consolo de uma vida feliz.
Porém, quando permitimos que nossa humanidade deixe de reconhecer o que a faz perecer, deseja algo de uma finalidade sem fim, então você apenas subsiste.
Eu acredito ser aceitável dizer que, quando você deseja abarcar todo o mundo sem conhecimento específico de causa, sem qualquer referência de suas consequências, sem relevar sua mortalidade, você perde a sua alma.
Ou seja, o sujeito não é capaz de conferir ao termo que lhe é posto a objetividade que ele próprio não tem.
Existem vários tipos de coletores de alma. Simples senhores de negócios, diriam alguns. Deturpadores de todo o conhecimento, diriam outros.
A grande questão quando se chega a esse lugar invisível a olhos nus, é saber como resgatar a sua humanidade novamente. Não há garantias. Só a busca é certa e incessante.
Assim, teríamos que apontar para algo expressivo, ainda que não muito relevante a princípio, para entender que, o mundo como minha própria representação está submetido ao tempo, espaço e casualidade.
Se entendermos isso, poderemos fazer o caminho inverso, entendendo esse corpo que habito como objeto de relações entre outros. O mundo que habito é a representação de todo um conhecimento e não apenas o desejo de um único indivíduo.
E esse é o segredo da imortalidade que buscamos em nossos sonhos : sermos senhores de nosso tempo e de nossos desejos.
Não há ganho maior do que ser o senhor de seu próprio destino, certo?
Eu prefiro confiar na minha capacidade de conhecer meus limites e estar sob as asas do invisível.
Sempre.

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