sexta-feira, julho 17, 2015

MINHA ALMA PELA SUA

Minha vida é repleta de por que e porquês.
Desde que me conheço por gente sou assim.
Acho instigante saber o motivo das coisas e sentimentos, situações em que a maioria só transita e eu me vejo questionando.
Mas não se trata de uma mera curiosidade, é algo um pouco mais profundo, um comichão que atende pelo nome de preocupação. Eu imagino que a maioria pensaria em curiosidade, mas na minha vida os porquês são sinônimos de preocupação.
Para conquistar meu olhar basta um sorriso afetuoso. Se acompanhado do sorriso vier simpatia, ganha minha preocupação eterna.
E não precisa ser meu amigo, na maioria das vezes isso acontece com completos desconhecidos.
Se pergunto "tudo bem?" e a pessoa responde " tudo mais ou menos", meu botão de por que é disparado automaticamente. Já fico refletindo se insisto no assunto, se a pessoa quer conversar mas não se sente a vontade para tal, se posso ajudar em alguma coisa...
Eu sou uma pessoa detalhista por natureza, e pequenas palavras, gestos e atitudes não passam despercebidos por mim.
Sou atenta as pessoas.
As vezes isso me causa transtorno, porque sou capaz de dar a alma pra ajudar alguém que nem sempre percebe isso. E não que eu busque aplausos ou patentes por ser assim, mas é reconfortante quando o outro percebe suas delicadezas e tem a sabedoria de reconhecer isso.
Mas as pessoas são bichos difíceis de lidar, e por mais incrível que isso possa parecer, os mais solidários também costumam ser os mais solitários.
Não a toa os poetas e escritores, ou seja, os que tem o olhar mais apurado para os pequenos detalhes do cotidiano, são seres introspectivos.
Eu aprendi com o tempo e a necessidade a ser menos introspectiva, mas meus porquês nunca me abandonam.
Com a maternidade essa capacidade de se colocar no lugar do outro e fazer perguntas aumentaram incontavelmente. Não a toa, meu trabalho sempre foi voltado para o olhar alheio. E não a toa escrevo e faço perguntas o tempo todo.
Por que o céu hoje está mais azul do que estava ontem? Por que hoje você foi finito com as palavras? Por que hoje você não sorriu? Por que, por que, porquês...
Olho pela janela e vejo um mendigo.
Me pergunto sobre o que ele pensa, sua vida, suas dores. Será que ele ainda sonha?
Ninguém olha para o mendigo que passa.
Essa pessoa habita meu pensamento por um longo tempo, até que todos os meus porquês sejam imaginativamente respondidos.
Detalhes...
Eu sou assim, pessoa chegada a coisinhas pequenas e insignificantes para a maioria das pessoas, irrelevantes e fúteis há quem diga.
Uma vida inteira de recortes para mim.






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