quarta-feira, junho 03, 2015

TOQUE DE RECOLHER

Como são lindas as tardes de outono.
Nem muito frias e tampouco quentes.
Agradáveis, como diria alguém mais inspirado.
As manhãs por sua vez são terríveis para quem, como eu, adora ficar embaixo das cobertas até o sono ir embora de vez.
Sou uma grande preguiçosa. Assumida.
Ninguém devia ter de acordar num horário previamente combinado, ainda que seja com o despertador. Cada pessoa deveria poder despertar lentamente, espreguiçando-se, sair suavemente do quentinho dos cobertores e somente então, por os pezinhos para fora da cama.
Existe neste mundo lugar mais acolhedor que a cama no outono?
No inverno então, é indispensável!
É impossível exigir bom humor de quem se vê obrigado a deixar o conforto de sua cama para cumprir com obrigações estabelecidas.
Por isso mesmo sou mal humorada.
Mas não sou indiferente as tardes de outono.
Quando eu era criança, lembro que os doces mais gostosos eram feitos nas épocas mais frias. Parece que as compotas ganham sabor diferente. Os doces de leite cortados em cubinhos, feitos no fogão a lenha ficavam mais apetitosos.
Eu não gosto de café preto, acho assim meio sem graça. Mas no outono e no inverno, tomar uma xicrinha de café é uma delícia. Se for acompanhado por um pedaço de bolo então, tomo logo duas!
Existem sensações que somente o outono e o inverno podem oferecer.
Minhas melhores lembranças nunca são sob um sol escaldante, mas sob o recolhimento que o frio exige.
Aliás, esse recolhimento que muitos chamam de solidão, nada mais é que um gostar de estar consigo mesmo.
O outono inspira, o inverno recolhe.





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