domingo, março 10, 2013

VONTADE E RAZÃO

Todo o instante vivido deveria ter o sentido de eternidade.
Nossa coragem contra o medo e nossa relação com o tempo, deveria estar já restaurada de maneira que, nós jamais nos arrependêssemos de um gesto, ato ou palavra em nossa vida.
Porém, uma humanidade esclarecida não é livre e tão pouco emancipada. Ou alguém esqueceu-se das maiores atrocidades cometidas em pleno século XX?
É nesse sentido que a vida consiste numa expressão do pensamento.
Afinal uma potência capaz de produzir Beethoven também foi capaz de produzir o maior genocídio da história.
Não conseguimos confrontrar os vazios, o tédio, e preenchemos esse espaço com entorpecentes?
Fico pensando nessas questões quando mando goela abaixo meus coquetéis molotov antes de dormir. Justo eu que sempre me considerei peituda? Não falo da proeminência física, óbvio, mas da questão da coragem em enfrentar a vida.
Foi dito que a marca registrada da fraqueza é a impossibilidade de se doar. Mas eu vou dizer uma coisa que eu fico cá pensando: essa métrica pode funcionar como retórica generalizada? Eu não concorco muito com isso. Claro que não ser egoísta, ser mais plural no trato com o outro é lindo, mas a vida é dura. Eu não acordo todos os dias sorrindo com o canto dos pássaros ou com a super lotação do metrô. Sinceramente, se inventassem uma pilula mágica que me tornasse melhor, mais feliz e corajosa todos os dias, eu ia fazer estoque. Quem não iria?
Voltando ao que eu disse lá no começo, o tempo vai embora a cada instante que passa e eu vou ficando por aqui.   Ainda acumulo arrependimentos porque não atingi o patamar sublime e iluminado dos monges, mas procuro não aniquilar meu próximo com mentiras, cinismos (o pior de todos os descaramentos), e me olho nos olhos na frente do espelho.
Sim, ainda fraquejo.
Ainda dependendo dos livros, das ideias dos pensadores do século XVII, XVIII e XIX pra encontrar um sentido mais amplo, mais verdadeiro, mais substancial.
Mas estou no front.
E como disse Niettzsche, é preciso ser imoral para pôr a moral em ação. Os meios dos moralistas são os meios mais asquerosos que algumas vezes foram usados. Quem não tiver a coragem de ser imoral, pode até servir para tudo, exceto ser um moralista.

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