sexta-feira, março 01, 2013

SOBRE O CONCEITO DE CAUSA E EFEITO

Quando eu era pequena, coisa mais incomum era alguem cursar uma faculdade.
Normalmente isso era privilégio de classe média alta, à classe baixa que pertencíamos restava quando muito, concluir o colégio.
Nós nem pensávamos nisso, nossa maior meta era terminar o colegial e fazer um curso de datilografia (quem tem menos de quarenta anos pode pesquisar sobre datilografia no google) e talvez cursar inglês.
O engraçado é que eu particularmente, descobri os livros muito cedo. E não falo de estórinhas de Monteiro Lobato, eu sempre apreciei desafios maiores, e li Voltaire com quase 13 anos. Meu mundo era os livros.
Quando criança não tive muitos amigos, minha mãe era bastante castradora no sentido de não me permitir ficar ociosa pra brincadeiras. Além desse fato, eu morava em um lugar aonde não havia muitas crianças próximas, então busquei nas estórias um mundo no qual eu pudesse ser protagonista e viver minhas aventuras.
Eu amava tanto os livros que, quando ia fazer as refeições levava um debaixo do braço e tomava bronca da minha mãe "mesa não é lugar pra ficar lendo enquanto come". Até hoje quando ela me visita diz a mesma coisa...
Enfim, desse ponto de vista, pode-se dizer que o apreço à leitura não está impresso na genética. Meus pais não tinham sequer o curso primário, foi algo institivo, enquanto minhas parcas amigas tinham curiosidade pelos meninos, eu só queria ler.
Curiosamente não cursei faculdade nessa época, repeti no colégio, perdi meu pai e meu irmão, fiquei uma adolescente sem rumo. Não foi traumatizante, apenas me decepcionei comigo pelas altas expectativas impostas por mim mesma.
Então chegamos a uma era em que as faculdades proliferam e correm atras de seus alunos como lobos perseguindo cordeiros.Qualquer esquina forma e capacita alguém.
Na minha época as grandes formadoras eram a USP, Mackenzie, PUC,  FAAP, Fundação Cásper Líbero, UNICAMP,  entre outras. Esses locais eram renomados porque provocavam e incentivavam o pensamento. Não importava apenas a dialética ou o resultado em si, mas os seminários e fóruns que varavam tardes, noites adentro com seus temas sócio políticos. Dali saíram muitas cabeças pensantes e transformadoras sociais.
Infelizmente hoje, preocupados muito mais com o mercado do que com o conhecimento, as pessoas se graduam em locais totalmente despreparados, e lançam jovens de vocabulário pobre, sem qualquer exercício de pensamento ou conteúdo racional. O resultado disso são profissionais que têm sob sua tutela outras pessoas e simplesmente não sabem lidar com argumentações, questionamentos, insatisfações diversas.
Na verdade, ele não sabe sequer lidar com as suas próprias insatisfações e é incapaz de discordar ou exercer livre raciocínio sobre seus superiores.
Não estou escrevendo a esse respeito por ter a PUC na minha história, mas porque é necessário provocar e despertar uma consciência mais exigente, possibilitando um novo caminho com novas e proveitosas graduações, e menos analfabetos funcionais.




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