quarta-feira, março 13, 2013

NINA SIMONE SALVA!

"Eu desacreditei na cara de pau dele. Nós estávamos super bem. Caramba, como uma pessoa pode mudar do dia pra noite?? Ele acabou com a minha vida, estou tomando anti depressivos."
" Minha amiga você precisa é ir pro forró e beijar muito na boca" responde a manicure.
" Eu parei num posto de gasolina e me acabei de chorar", continua a desesperada.
Enquanto essa cena acontecia eu estava ao lado oposto com um dos pés pra cima com minha pedicure retirando minhas cutículas.
" Eu sei que estou gorda, desempregada, feia, mas poxa, precisava terminar desse jeito e ainda voltar pra ex mulher seis anos depois??"
Fiquei confusa.
Enquanto tentava ordenar meus pensamentos com tanta choração, outra mulher que também estava fazendo a manicure resolveu entrar no "momento confessionário".
" E eu, que estava com terreno comprado, parcelando meus móveis, quando descubro que o cafajeste estava me traindo com a vizinha, e pior, já tinha até um filho com outra mulher?"
"Vocês precisam ir pro forró" insistia a sábia manicure.
Abri a bolsa e tomei eu mesma uma Sertralina. Que coisa toda é essa???
As mulheres continuam achando que os homens mudam "do dia pra noite", e que nunca ouve nenhum sinal emitido pelos céus que aquele homem, tão desejado, não valhia um centavo furado?
Continuam.
Não estou culpando essa mulheres.
Desde que o blues existe as mulheres se afogam em enganação, lágrimas e vodka.
Não controlamos coisa nenhuma, que dirá a nossa vida, mas será que não dá pra seguir a trilha dos milhos espalhados pelo chão vez ou outra?
Torço realmente pra que essas mulheres recuperem sua auto estima, ou sei lá o que, mas o que percebi (e elas nem imaginam) é que apesar da minha pinta de forte chique e da real fraqueza que me assola, resisto bem. Mas resisto melhor ainda quando essa histórias me salvam de mim mesma.
Nesses detalhes sórdidos e tristes da vida alheia, percebo como a minha vida é bacana.
Não sou hipócrita neopuritana, sou pessimista talvez?
Mas pelo amor de Deus, entre a saliva e o gozo, algo de inusitado, trágico, glorioso e decadente na relação homens e mulheres sempre existirá.
E muitas vezes a única coisa que de fato existe é o gozo, apesar das mulheres continuarem associando o amor romântico a isso. E daí não dá pra seguir os caminhos marcados pelos milhos mesmo.
Foi uma boa experiência essa. Como são em geral as dos seres humanos.
E nessa noite dormi sem coquetel molotov.
A saliva, a gargalhada espontânea, o suor e minha intimidade me bastaram.




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