sábado, março 23, 2013

DIA 6

Dia 6

Ir até um posto de atendimento que distribua medicamentos alto custo foi uma aventura pra mim.
Primeiro porque o tamanho do lugar é assustador. O Posto Maria Zélia, aonde fui, é bonito e gigante. Dividido por diversas alas numéricas, a minha seria a ala 7 - Farmácia. E foi neste momento que me assustei.  Se nas outras alas havia poucas pessoas, na ala da farmácia a quantidade era incomparável. Imagine um galpão imenso ladeado por guichês e dois painéis eletrônicos. Os bancos são insuficientes pra acolher todas as pessoas, então a maioria senta-se no chão do corredor, ou fica em pé mesmo.
 A primeira fase do atendimento foi rápida. Em uma fila fui encaminhada a um dos guichês para checagem da documentação. São muitos protocolos e vias de receituários, cópias de documentos pessoais, e não pode haver nada faltando. A partir daí, ela agrupou os documentos e me deu uma senha, agora era só acompanhar via painél eletrônico.
Em pé, claro.
Mal dava pra ver o painél eletrônico que ficava no fundo do galpão. Mas precisei de pouco tempo pra descobrir que o início das senhas indicavam as patologias, e que algumas demoravam muito mais que outras. Por exemplo, uma senhora estava aguardando desde cedo seu remédio porque precisaram ir buscar em outro local, o custo era algo em torno de 10 mil reais, e não estava disponível no estoque.
No decorrer da espera você acaba se socializando com outras pessoas, conhecendo histórias e se aproximando de sua própria doença, principalmente ao ouvir coisas do tipo "essa é a última vez que venho aqui, não quero mais tomar esses remédios, eu não preciso dessa porcaria..."Esse tipo de negação é a cara de quem sofre algum tipo de disturbio. Eu mesma já repeti a mesma frase inúmeras vezes.
Consegui meu remédio por volta das 17:30 horas e voltei pra casa. A bula de cada remédio que eu tomo é motivo pra nunca mais tomar o próximo.Mesmo assim, eu me livrei dos demais e mantive só o "kit bipolar". Tomei o remédio e me senti meio sedada, esquisita, sei lá. Acordei com a cabeça explodindo. Tomei uma aspirina.
Nunca tenho dor de cabeça, esta é a segunda na semana e me deixa mal humorada. Fico pensando "o que será que estas drogas estão fazendo com a minha cabeça? De repente não seria melhor enfrentar os buracos, as ausências, as dores e os demônios nua e crua? 
Os grandes gênios bipolares usavam algum recurso ou só se isolavam do mundo durante suas crises?
Somos muito frágeis.
Num dia você é forte, lida com todos os problemas. No outro, não tolera sua sombra e não aceita a vida tal como se apresenta.E sabe o que é pior?
Você está sozinho.
Essa luta de sobrevivência e dor é só sua.






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