segunda-feira, março 11, 2013

A CULTURA DA ILUSÃO

Você já se apaixonou?
Ainda que a sua resposta seja negativa, impossível alguém não ter sentido vez ou outra um aperto no peito. E este aperto não corresponde necessariamente a uma paixão, citei apenas para exemplificar e transportar você à sensação descrita. Alguns dias você acorda e não sente o chão. Você procura por uma corda e acredita piamente que está num vácuo profundo, um abismo incomensurável.
No entanto faz sol e o trânsito te lembra que você ainda respira.
Será que a sua dor é démodé? Você está ultrapassado? Vencido?
Como seria seu código de barras se você tivesse um?
O nome dessa dor é medo.
Ter medo não é ruim, porque é atravez do medo que você delimita teus espaços e princípios. Nós nunca deixaremos de sentir medo. Podemos sentir mais ou menos, mais ele nunca deixará de existir em nós.
Em uma das citações de Freud, ele menciona que no auge do sentimento de amor, a fronteira entre ego e objeto ameaça desaparecer.
Quando estamos enamorados de outrem, acreditamos que nada nos deterá e por instantes o medo até parece deixar de existir. Você parte do pressuposto que tornou-se parte do outro, estando imune a todas as intempéries da vida. Mas isso não é verdade.
Não é possível constituir-se de outra pessoa.
As suas dores e os seus medos serão apenas seus e de mais ninguém. Ainda que o seu ego lhe diga o contrário, o mundo exterior o forçará a retirar as amarras da visão e o seu oceano transbordará.
A isto Freud chamou de princípio de realidade, e eu chamo de início de desespero. É quando percebe-se que nossos instintos falharam e nenhuma circunstância ou desculpa resolverá tuas inseguranças e medos.Sejam eles quais forem.
Você estará sozinho.
Então o que fazemos, ainda que absurdamente não nos damos conta de imediato, é acoplar nossa vida e tudo o que ela implica e carrega, à vida do outro. E o outro faz o mesmo conosco.
Seus ideais já não são mais seus, mas uma somatória "eu" mais "tu". Pactos não verbais são feitos e a fidelidade é um deles. Abrir mão de sonhos individuais em favor dos comuns também. Mas o que são sonhos comuns e quem os definiu assim?
Pode ser que eu esteja indo longe demais na minha teoria sobre medos, solidão e acoplamentos mentais. Pode ser que o sentimento de unidade seja reconhecida pelo ego. Ou, citando novamente Freud, talvez devêssemos contentar-nos em afirmar que o que se passou na vida mental pode ser preservado, não sendo, necessariamente, destruído.
Estou usando algumas ideias soltas apenas para dizer que a individualidade, o medo, o sentimento de desamparo (inclusive espiritual) ronda cada célula de nosso corpo. E será sempre assim. Para o bem e para o mal.
No final, cada qual responde por suas próprias ilusões.






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