segunda-feira, fevereiro 18, 2013

O CAOS QUE HABITO

Desde pequena sinto uma necessidade urgente de encontro espiritual.
Não religioso, mas espiritual mesmo.
O sagrado na minha vida já teve muitas idas e vindas, e poderia ser classificado como tragicômico.Em determinados períodos compro livros - vários - frequento todos os locais que, por motivo ou outro, me chamam a atenção, incorporo (e aqui cabe este parêntese para esclarecer que de fato tenho mediunidade, e não sou uma embusteira), questiono minhas crenças, me meto a relativar tudo.
Não se trata de uma questão de benefícios: qual irá me beneficiar mais, em qual terei mais liberdade para manter minhas prioridades e preferências. Mas de uma experiência que transforme toda a minha existência.
Apenas acredito que é essencial viver uma experiência transformadora desse tipo, que marque mesmo ou te traga um limiar.A questão é que a cada dia que passa esse "experimento" torna-se mais difícil.
Desde pequena este assunto vira e mexe emerge.
Quando eu morava na praia fugia de todos os terreiros em dia de festa de Yemanjá. Minha mãe insistia em ir nas celebrações diversas que havia e eu simplesmente não conseguia absorver a importância que tinha aquilo tudo. Eu só tinha muito medo.
Mas é natural do ser humano temer o desconhecido, certo?
Então por qual motivo detestei fazer o sacresanto catequismo e passei mal a ponto de quase desmaiar na minha primeira comunhão? A figura austera do padre e da óstia me aterrorizavam tanto quanto os terreiros de umbanda.
Tentei os evangélicos amigos e não me encontrei em canto algum. Precisaria abrir mão de meus santos, arcanjos e rituais, o que não aceito. Meus rituais atendem por este nome porque foram criados por mim.
Não tenho a arrogância pretensa de desvendar o inexplicável, hoje busco uma maneira mais pacífica de lidar com isso. Acredito que as entidades foram pessoas comuns que realizaram feitos extraordinários e por este motivo ascenderam aos céus.Gosto delas. Gosto dos cânticos da umbanda e do som dos atabaques. Gosto de incensar minha casa, tomar banho de ervas e acender velas pedindo proteção.
Ao mesmo tempo, também faço mantras, medito nas mandalas, deixo impresso em meu corpo proteção em hebraico e sânscrito. E a Hamsa, além da estrela da Cabala. Aliás, já frequentei e fiz curso na Casa de Cultura de Israel.
Me emociono ao entrar em uma igreja e até ao assistir à uma missa. Independente do padre, papado, escândalos afins, me refiro ao ato abnegado de louvação.
Me sinto vinculada a  São Miguel, de quem sou devota declarada, aos Caboclos, Pretos Velhos, Nossa Senhora da Conceição, alguns Gurus. Por quê? Também não sei explicar.
É algo a ser vivenciado.
Talvez o que me toque seja a generosidade desapegada que é apregoada.Talvez eu só busque o sagrado por que precise elevar minha alma, ou porque haja sempre algo de "anormal" que combine comigo.
A normalidade não capta ou traduz esse tipo de sentimento.
Da mesma maneira que não consigo pela verborragia traduzir minhas inquietudes, preciso do Divino para me acalentar, não me sentir julgada.
Preciso me reiventar um pouco a cada dia para não enlouquecer, da mesma forma preciso de muitas formas de amar e ser amada.
Talvez...




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