domingo, janeiro 13, 2013

PSICOLOGIA FREUDIANA SOBRE O AMOR

Quanto mais perto de outro ser humano nos aproximamos, mas medo de nós mesmos temos.
Isso acontece frequentemente comigo.
Meus primeiros escritos eram poemas. Lindos poemas de amor escritos por uma sardenta de 8 anos, talvez menos.Eu acredito no amor, e o defendo como sendo a única tábua possível de salvação de nós mesmos. Mas não acredito no amor poético romantizado, cheio de rendinhas e frufrus.Esse amor é uma farsa em forma de versos. As vezes até rima, o que só o torna mais patético.
Posso estar equivocada quanto a isso ,e é muito provável que eu esteja, mas o amor precisa amadurecer para ser amor. Os versos românticos apenas idolatram o que poderia vir a ser um vestígio do amor verdadeiro.
O primeiro poeta que li na vida foi Carlos Drummond de Andrade. Eu amo Drummond. E hoje entendo perfeitamente o motivo.
Drummond não idealiza o amor, ele nos alerta sobre ele.Descomplica e desconstrói o que poderia ser apenas uma breve história de amor. Quem mais poderia dizerAmor é primo da morte,e da morte vencedor,por mais que o matem (e matam)a cada instante de amor"  ouQuando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu."
E deixa claro que esse experimento pode magoar, pode doer, sangrar até estrebuchar e descreve assim "Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar.Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora.Detonaste o pacto Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair."
" Rompeste o pacto" escreve ele. E é nesse momento que, do alto de minha supra estimada vaidade, acredito ter Drummond descoberto o engodo. Queria poder dizer " e agora Drummond? onde você estava com a cabeça quanto acreditou que alguém em sã consciência cumpriria um pacto de amor?"
Mas ao que parece meu poeta abre os olhos ao invisível quando escreve Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. "
Sim, o amor pode ser destrutivo e galgar sentimentos de vinganças em nós.
Eu adoro Jane Austen e seu " Orgulho e Preconceito" , mas não existe a menor chance de o amor sobreviver sem maturidade. Com o passar do tempo aquela chama intensa de paixão acaba, "posto que é chama" como disse Vinicius, e o casamento com suas rotinas pode ser extremamente maçante. E depois chegam os filhos e aí tudo vira um inferno. 
Sinto muito, mas é assim que acontece, a não ser que você tenha seis babás, muitos empregados e passe o o dia se divertindo em spas. O que não garante em absoluto a durabilidade do amor, apenas o tédio.
E existem pessoas sedentas por algo não preenchido na adolescência ou infância - não sei dizer - que passam a vida pulando de galho em galho. E para quê? Sentir uma emoção nova, arrebatadora? Paixão? Pobres imbecis.
O novo de hoje será o velho de amanhã. 
Mas o amor maduro é acolhedor, complacente, compartilha abraços e mãos, silencia palpitações de angustia, cala o medo e a hipocrisia do "até que a morte nos separe".
Por isso, exige muito.
Exige inclusive resignação para coisas que não podemos mudar no parceiro, como roncos, arrotos, barulhos escatológicos e mau gosto.Sim, porque apenas nós somos dotados de tamanha perfeição.
Obviedade pura.
Eu sou uma ferrenha defensora do amor.E acredito piamente nele como a única tábua de salvação que nos resta(já disse isso?), mas não me venha com versinhos letrados.
Respeito os poetas e todas as reflexões que seus escritos causaram nas mocinhas, cada qual em sua respectiva época.
Mas se suas musas precisassem trabalhar, cuidar dos filhos, fazer sexo incrível e tivessem o mínimo de auto amor para manifestar-se, os versinhos certamente seriam outros.
Portanto, não façamos das poesias uma bandeira.São apenas metáforas de amor.
Piegas, simplório, imediatista, passional e ridículo.
O amor é raro.
Precisa de zelo, disponibilidade, e sobretudo, de senso de humor.






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