terça-feira, janeiro 15, 2013

A FILHA DO DRÁCULA É LOURA

Eu nasci loura.
Na verdade eu era bem loura, uma autêntica italianinha branquela.
Mas com o passar do tempo e das colorações, meu cabelo tornou-se preto, preto azulado, louro de novo, castanho, castanho com luzes até encontar a cor definitiva que mantenho a alguns anos: o ruivo.
Mas acontece um fenômeno curioso no Brasil. Somos um país de mulheres velhas e louras.
Vejam, não estou chamando as mulheres brasileiras de velhas, é apenas retórica. Eu mesma já sou uma senhora no alto dos meus 44 anos, portanto, ao usar a expressão "velha" refiro-me a maturidade.
Esclarecido este ponto, vamos aos fatos.
Estava eu ontem no supermercado, corredor de temperos e ervas, quando dou de cara com uma mulher loura e velha. Devia ter por volta de uns 60 anos e o seu cabelo era claramente colorido. Calçava uma botinha preta esquisita e, não bastasse isso, ainda carregava uma maquiagem marcada por sombra preta pesada.
De início corri dela para o corredor de frios.
Mas quem vai ao supermercado sabe bem que não há maneira de não reencontar alguém, seja no corredor das frutas, frios ou enlatados. Então, estava eu de olho nos iogurtes quando ela reapareceu.
Parecia até provocação: " ah, a ruivinha está olhando iogurtes, vou lá olhar também..."
Veja o que uma mente mentecapta como a minha é capaz de formular.
Quando terminei as compras e me encaminhei ao caixa, vi muitas outras mulheres velhas e louras. Parecia até uma espécie de comunidade ou agrupamento.
Sejamos razoáveis: porque quanto mais envelhecem as mulheres, mais louros ficam seus cabelos?
Loucura coletiva?
Não, o que me parece- e serei didática aqui - é que há uma representatividade interligando a cor dos cabelos (no caso louro), a uma jovialidade significativa.
Significativa e falsa.
Essa idéia é uma tentativa comprovadamente enfadonha.Principalmente porque entre a idéia e intenção concebida há um vácuo imenso. Cria-se a impressão e imagem inversa, ou seja, essas senhoras tornam-se aquilo que ela mais temem ser: velhas feias.
Existe coisa mais ridícula que uma pessoa de 60 anos se portando de maneira a causar uma idéia de pessoa de 30?
Essa percepção de tempo é necessária, por favor.
Chega a ser até cartesiano talvez, não sei, mas conceituo como um padrão estético imbecil. Ninguém vai rejuvenescer porque usa tinta loura no cabelo.
Não estou fazendo a defesa de um padrão sofisticado de mulheres ou, ao contrário, de mulheres ultra feministas que abdicam de qualquer coisa e assumem sua porção bagulho.
Apenas quero abrir um precedente a essa histeria coletiva, e estender um pouco a linguagem a respeito das referências que cercam a maturidade.
Minha bandeira é :
" Por uma nação de idosos autossuciêntes e reflexivos".
E me incluo nela.



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