sexta-feira, janeiro 11, 2013

A CRISE DOS SETE

O bom em gostar de filosofia é poder ser uma perguntadeira.
Quando eu conheci Sócrates me identifiquei imediatamente com a capacidade apurada que, segundo Platão, ele dispunha ao indagar as pessoas pelas ruas. Digo "segundo Platão" porque Sócrates nunca escreveu uma linha sequer. Não entendia os escritos como fundamentais para transmissão de idéias, preferia o calor dos argumentos. Uma ideia no papel pode ser interpretada como verdade, não cabendo à ela possibilidade de defesa.
Muitos alunos ricos que estudavam com os sofistas, procuravam por Sócrates interessados em sua sagacidade. Temas aparentemente banais aos olhos e ouvidos comuns, transformavam-se em estudo. Uma vida não revista e examinada, era indigna de ser comparada a de um ser humano. Viver sem questionar os pensamentos e achismos era para Sócrates, uma condição apta aos animais.Nunca aos humanos.
Uma criança, se examinada mais de perto, é um grande filósofo.Pelo menos até os sete anos.
Para todas as ordens e chamados à obediência seguem-se muitos "por quês". Muitos pais, contrários a generosidade que os torna tão elevados perante os demais, odeia ser questionado. Enxerga nos por quês um desafio, uma afronta, um atrevimento similar ao desrespeito de um soldado frente ao coronel a lhe dar ordens. Muitos de fato, cocriam uma casa bastante similar a um campo militar.
Estas mesmas crianças castradas na infância tornam-se, raríssimas exceções, em pessoas imbecis, egoístas e abstêmias de qualquer virtude.
Por este motivo deveria ser enriquecedor para um pai ter um filho perguntador.E digo mais, deveria incentivar seus filhos a questionarem seus comandos, sem a preocupação imaginosa de que isto implique em incentivar o desamor. Trata-se de rica oportunidade em conversar sobre questões pertinentes a ética e a virtude sem autoritarismos. Desmitificar verdades ampliando os horizontes dos pequenos com o simplório fato de que não há verdades absolutas.Mais do que pensar em que mundo deixaremos para os nossos filhos, é importante refletirmos sobre que adultos deixaremos para este mundo.
Pode ser que até prefiram ouvir estória sobre Pandora do que Chapeuzinho Vermelho.
A simplicidade não é ilusória, é apenas adepta a falta de desculpa.
E não é disto que trata-se a vida?


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