sexta-feira, janeiro 18, 2013

A BUNDA

Podia ter qualquer nome pomposo.
E deveria tê-lo, dada as circunstâncias com que é cultuada no Brasil. E quando digo cultuda, trago a alcunha feminina ao verbo.
Bunda. Eis seu nome.
Curto e sem graça, não é digno da ocupante, esta sim acintosa, convencida, esnobe, protumberante. Basta apenas uma fração de segundos para formular diversos adjetivos muito mais adequados à sua pessoa que o próprio nome.
Costuma causar constrangimentos, ser inadequada, oportuna e inoportuna, assim, bem descarada mesmo. É fruto constante de invejas, intervenções e disputas, inclusive jurídicas.
Há quem comente sobre um cirurgião famoso que, ao ser descoberto vítima de cornice, exigiu a bunda paga de volta. E quem poderá dizer que não estava no auto de seus direitos, seja de corno ou de pagante? Não há relatos sobre esse tipo de requerimento junto ao Código de Defesa do Consumidor. Deveria haver, frente a quantidade - abusiva diga-se de passagem - de bundas compradas.
Algumas pobres almas (como esta que vos escreve), têm o infortúnio de nascer com a bunda errada.
Explico.
Um adulto não deveria ser um adulto e, ainda assim, ostentar uma bunda de criança.Quando a minha bunda vê as outras bundas empinadas, atrevidas e metidas, morre de inveja.
"Compra uma" diz um amigo mais próximo, mas jamais será a mesma coisa. Melhor o conformismo a uma bunda falsa.
Vez ou outra apronta umas merdinhas, literalmente. Mas nunca perde um carnaval. Aliás, momento de seu maior explendor, quando todos os olhos se voltam estonteantemente e unicamente para ela.
E bunda que é bunda, adora ser o centro das atenções.
É tão famosa que, mesmo nos piores momentos é referenciada. Ou alguém pode levantar a mão e afirmar nunca ter ouvido outro alguém mandar um terceiro ir tomar no cú, sabendo ser este, seu ápice central?
Só não gosto mesmo do nome: bunda.
Muito sem graça.
Mas sua magnitude na República das Bananas é imensurável! Normalmente quanto maior a bunda, menos importante é o cérebro que a carrega. E isso se fundamenta.
Quem precisa de cérebro tendo uma bunda?
Demanda muito trabalho manter um cérebro ativo, já uma bunda pode se manter ativa a vida toda sem nenhum constrangimento aparente.
Estamos vivendo a era da bundização política também, basta apurar um pouco mais o olhar pra perceber de quantas bundas -lastimavelmente - moles é feita os camaradas. E por falar em bunda mole, já percebeu que bunda de homem é sempre dura? Precisava??
Acho uma humilhação essa virilidade da bunda masculina.
É tanta bunda por aí que ouvi dizer a respeito de uma passeata dos peitos.
Pura falta de sensibilidade, afinal há tanta bunda quanto peito falso, e sabe-se muito bem que nem só de bundas moles ou despeitados vive um homem. Ou mulher. E eis aí a sua graça.
Ora bolas, ou melhor , ora bundas.
E  olha, desculpe a sinceridade, o que seria desta republica  não fosse a bunda? A bunda é uma referência nacional e quiçá mundial! Sim, somos uma nação de bundas.
Portanto, erguei vossos copos e brindais: à bunda!








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