segunda-feira, dezembro 17, 2012

FRAGMENTOS

Sartre disse certa vez que "o inferno são os outros".
Eu concordo com Sartre, mas sinceramente também acrescentaria que, além dos outros, o inferno também somos nós mesmos. Afinal de contas, alimentamos e cultivamos diariamente vários demônios internos não exteriorizados.
Frequentemente dizemos e comportamo-nos como esperado. Não somos sinceros e verdadeiros em nossas relações.
Somos óbvios.
Quando saio do supermercado e encaminho para o estacionamento, imediatamente um taxista se habilita a puxar meu carrinho com um sorriso maroto. Ele sabe que utilizarei o serviço. Já sabem meu endereço de cor e salteado, entro no táxi e nem preciso dizer onde moro. Isso é ser óbvio.
Eu particularmente, detesto essa obviedade. Fico querendo dizer "não, não, não, hoje eu vou de carro", mas acontece que não tenho carro, portanto, óbvio, vou usar o serviço de táxi.
Mas particularidades a parte, o que mais me atormenta na vida é meu perfeccionismo no trabalho.Não pensem que isso significa que eu adoro trabalhar, pelo contrário, eu detesto.
Acho sacal ter horário pre determinado pra acordar: Cada um deveria acordar na hora que melhor lhe convenience. E odeio usar uniforme. Essa coisa de emparelhar todo mundo, pra mim é regime escravagista. Eu sou um indivíduo pensante, não sou igual a ninguém. Esse negócio de uniforme é ridículo.
Mas eu uso. E sorrindo.
Se eu fosse sincera diria "não vou usar essa m...", e possivelmente seria demitida, mas seria verdadeira e coerente comigo.
É aquela história da pergunta básica pela manhã: " e aí, tudo bem?" e você responde "tudo..." quando na verdade queria dizer " olha ta tudo uma m...odeio meu trabalho, odeio meu chefe, esse uniforme é patético e não vou conseguir entregar meu trabalho na data estipulada", mas ao invés disso, respondemos apenas um "tudo bem..." porque afinal, quem faz esse tipo de pergunta esperando uma resposta sincera?
E tome muito cuidado.
Você corre o risco de ser enquadrada numa categoria muito peculiar, que é a da pessoa que só faz merda.
Sim, toda vez que você bater de frente com alguém(,principalmente se for seu chefe)estará fadada a algumas analogias. Uma delas é a de que você é "mal comida", outra é a de que você "está de TPM", ou amarga,solteirona,  entres outras .Agora se o seu chefe comprar sua ideia, a lenda urbana será a de que você "está dando pro chefe".
Para agir por instinto,o que você faria?
Eu arrancaria os dois olhos da dita cuja profanadora, mas socialmente dizemos" ah, nem ligo pra essa suburbana(última palavra em voga), quando na verdade você amarga por anos esse momento "vergonha alheia"
Não estou mentindo.
Os consultórios estão lotados de pessoas com traumas de infância,velhice, adolescência e menopausados expostas à medicações, regressões numa tentativa saudável de resolução.
Qual é a solução?
Buscarmos exercitar nossa verdade.Ninguém precisa sair por aí arrancando o olho de ninguém, mas dizer com sinceridade (doída as vezes) é um começo.
Comece treinando em frente ao espelho.Acredito que não resolva muita coisa, mas é o que os ditos livros de auto ajuda pregam. Eu se parar em frente ao espelho e começar a falar, saio gargalhando...
E vou dizer uma coisa: se o outro te entender mal, problema dele!
É direito dele procurar alguém que continue dizendo o que quer ouvir.E é opção sua, procurar por pessoas que optem sempre pela verdade.
A partir daí seus demônios começam a ser de fato, exorcizados.
E você,aos poucos, começa também a ser mais feliz.
Vou concluir com um texto da minha irmã gêmea (espiritualmente falando), Fernanda Young:

”Oi, eu estou bem aqui na sua frente, mas você insiste em não me ver. Tudo bem, opção sua, cada um enxerga o que quer. O problema é quando você, sem ter idéia de como sou, resolve dar a sua visão sobre mim. Talvez você não se enxergue também, antes de mais nada – e assim me tire por parecida contigo. Errando completamente. Para começar, eu faço questão de ver as pessoas ao meu redor, e isso faz toda a diferença do mundo. Percebo que todos têm algo de especial, estando aí a graça. Percebo belezas que não são minhas, estando aí o prazer. Percebo inclusive você, parado bem na minha frente, desviando seu olhar para lá e para cá, nervoso com a minha presença, estando aí o ridículo.”





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