sábado, dezembro 01, 2012

EU, VOCÊ, E OS MAIAS

"É isso!" Digo exultante durante o almoço.
" Como é que eu não percebi antes? Eu li sobre isso durante o ano passado e nem me dei conta!" Continuei empolgada enquanto empurrava Samira pra caminha do Mustaphá. Aliás, nossa casa está mais pra um zoológico: 5 gatos, 1 cachorra e 1 tartaruga de 300 anos.
Sentada ao meu lado, Gaby concorda enquanto dá uma golada no refrigerante: " Mãe é verdade, e eu lembro de você lendo, acho que essa é a mudança mesmo que vai ocorrer..."
Estávamos comendo uma feijoada feita (sempre) por você, que neste momento levava à mesa a última bisteca frita. E o assunto era (o suposto) fim do mundo previsto para 21 de Dezembro pelos Maias.
" Essa é a razão do meu aumento de sensibilidade, inquietude, questionamentos, alternâncias de choro, tristeza e alegria. Tenho mediunidade, estou passando por este momento de transição. Quer dizer, uma parte de mim está morrendo pra nascer uma outra!"
"Uau! Estava bem na sua frente o tempo todo!" Diz você. E percebo a ironia.
Não dou trela e continuo.
" É uma mudança de consciência. Uma parte de mim está resistindo, e deve estar acontecendo com  todos que possuem alguma ligação mais forte com o espiritual".
" Com os gatos também??" Diz você se sentando e sorvendo sua cerveja.
Olho pra você com minha cara blazé, e fazendo uma sub careta (?) viro para Gaby." Então... eu acho que é isso mesmo, acabo de descobrir". Enfatizo bem a frase.
" Humm, que legal cara!"
Você não desiste.
" Amor, dá pra parar, tô tendo uma conversa séria aqui!"
Enquanto isso, Pedro também entra no assunto e filosofa "como os Maias podiam saber tanto..."
" Eu vi um programa no Discovery em que umas pessoas estocavam comida no subterrâneo da casa. Só não gostei muito da parte em que eles ensinavam os filhos a usarem armas." explica Bia no alto de toda seriedade que uma criança de 10 anos consegue ter.
" Pai, você viu o sorteio da chave do Brasil?" pergunta Guilherme, totalmente interessado no assunto Maias e extinção da raça humana...
Nesse momento percebo que, bem de fininho, você já estava se retirando com o ventilador em mãos, para o andar superior da casa.
Ainda continuei falando mais um pouco com a Bia - única que sobrou - que ainda descreveu outros programas do Discovery, enquanto Gaby já estava na sala e Guilherme reclamava da bisteca.
Subo e encontro você largado na cama assistindo ao canal de esportes.
Como numa cena do filme "Alta fidelidade" em que John Cusack se imagina - ora estrangulando, jogando o computador na cabeça, dando golpes de Jiu-Jitsu e socando a cabeça de Malcovith - em várias imagens cerebrais enquanto permanece imóvel frente ele, me vi assim.
Mas como não imagino minha vida sem suas ironias, suas mordidas no meu braço enquanto escrevo, seu mau humor, sua inteligência absurda até pra coisas absolutamente desnecessárias (tipo saber quem criou o All Star - porque alguém precisa saber disso???), me jogo na cama ao seu lado.
Enquanto não criarem uma espécie de CPA (Carlos Proença Anônimos), continuarei totalmente dependente de você.
Pra sempre cara.





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