terça-feira, outubro 09, 2012

TEMPO PERDIDO


Me ocorreu de ler Sêneca.
E eu tenho tantos livros não lidos.Tantos livros comprados e depois esquecidos, que quando olho a capa de um livro novo quase o ouço dizendo ” eu não, eu não!!”, sabendo o destino aguardado.
Mas alguém – não lembro quem – me disse que “O livro certo sempre aparece no momento que lhe é oportuno”, e é fato! E explica porque não li metade dos livros que comprei. Não havia congruência.
E por falar em tempo, lembrei porque escolhi ler Sêneca.
A minha insatisfação diária com coisas desprezíveis e insignificantes, são bestiais.Mesmo sabendo de todos os riscos que corro, principalmente em relação a minha saúde mental, não penso duas vezes antes de me jogar no abismo ou me expôr. E discuto – seja com quem for – se percebo que falta ética, não moral, mas ética na condução de suas ações. Principalmente se essas ações reverberam na vida de outras pessoas.
A moral é temporal. Corresponde a determinadas épocas. E assim agem as pessoas no que diz respeito a sua conduta moral.
Mas a égide da ética independe a época que habitamos. Ela é feita por valores de verdade e alinhamentos que firmamos em relação a tudo o que não pode ser tirado, roubado de nós. O discurso da verdade é simples.
Mas não é inteligente agir com bravatas. Esse é um tempo que já passou. Estamos vivendo a época das conciliações, e o outro precisa compreender que toda imposição é estúpida.
Portanto, pra que perder tempo com o ridículo? Todos somos ridículos, alguns mais que outros, mas decididamente, estou negligenciando a minha vida  -e o meu tempo – quando me afeta pessoalmente as imperfeições e limitações destes.
Que se danem!!
Cada um é responsável pela parte que lhe cabe neste mundo. Nossos talentos são tesouros dados por Deus e, quem ousar interferir, cedo ou tarde, pagará o preço. Aonde mais temos a oportunidade de apresentar e ofertar nossos tesouros, senão em nosso trabalho? É lá que desenvolvemos e costuramos todos os nossos talentos. Mas há tantas pessoas, talentosas decerto também, mas que, assim como o tempo e os livros, não são congruentes com o espaço que ocupam. E exatamente essa falta de convergência que me afeta.
Eu confesso: tenho intolerância a gente intolerante e tosca. 
Ninguém precisa recitar Aristóteles ou Freud. Basta se humanizar. Não somos humanos? Ajamos como tal!
E o que Sêneca tem a ver com tudo isso?
Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morra diariamente? Nisso, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence a morte.
Então caro Lucílio, procura fazer aquilo que me escreves: aproveita todas as horas;serás menos dependente do amanhã, se te lançares ao presente. Enquanto adiamos, a vida se vai.Todas as coisas Lucílio, nos são alheias, só o tempo é nosso.”

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