domingo, setembro 09, 2012

A MALDIÇÃO DA CULPA

Eu já escrevi que não gosto de trabalhar.
Por mim ficava em casa lendo meus livros, assistindo meus filmes, indo as palestras e encontros anuais de qualquer coisa , cuidaria da minha casa, dos meus bichos e da minha família.
Quando eu estou no trabalho, tenho a sensação de que a qualquer momento uma bala vai atravessar minha cabeça. Claro que não literalmente, mas é tanto estresse que me sinto assim.
Eu leio e ouço todos os dias (de verdade) que somos resultado de nossas ações e pensamentos, e o pior é que eu acredito! Mas eu sou o próprio inferno, e a estagnação ou resignação, me enojam.
Por que eu não mando tudo pro inferno?
Porque eu e meu marido temos muitas pessoinhas dependentes de nós.Apesar de meu marido dizer sempre "larga tudo isso amor", eu insisto, insisto, insisto...
Pode ser que eu seja uma vagabunda (não no sentido pejorativo), mas no fundo,  todos nós sabemos que a ordem natural é trabalhar pela experiência, pelo conhecimento e nunca pelo dinheiro. Mas não vivemos na Terra do Nunca, portanto, somos exigidos a desempenhar funções e assumir sentidos de maturidade, mesmo sem querer.
Crescer é muito chato.
Envelhecer então, mais chato ainda. O cabelo fica branco, tudo despenca, seus dentes caem, o grau dos óculos aumentam e a surdez também. Isso sem contar que, com raríssimas exceções, ficamos ranzinzas, insuportáveis e cheios de manias. E doenças também.
Devíamos morrer jovens, saudáveis e preferencialmente, vagabundeando muito.
Mas você pode desconsiderar tudo isso que eu escrevi, lançar um olhar intelectual e decretar que sou maníaca -depressiva, auto proclamada covarde e estúpida.
Acho oportuno dizer que sou brasileira, portanto chata e cansativa por osmose. Um feito memorável para mim neste momento de embrutecimento intelectual, é conseguir nomear os objetos. E comer jujuba.
Enquanto me permitirem comer minhas jujubas no trabalho, e aqui vou parafrasear Euclides da Cunha, aquele bando de "desequilibrados incuráveis", " gente ínfima e avessa ao trabalho, vezada à mândria e a rapina", dotados de "moralidade rudimentar" com uma série de "atributos que impedem a vida num meio mais adiantado e complexo"vou conseguir manter minha covardia.
Euclides da Cunha nunca conheceu as pessoas com quem trabalho, mas compreendeu a mente e o comportamento dos brasileiros como ninguém.
O que por si só, já diz muita coisa.



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