sábado, abril 07, 2012

ASCENSÃO


Quando eu era mais nova, seguia uma dinâmica de apego ao olhar do outro. Isso quer dizer que, a cor do meu cabelo, minhas roupas e estética em geral obedecia a padrões pre definidos.
Se você estiver lendo e, se atrever a dizer "que horror, nunca fui assim!", atrevo-me a dizer que está mentindo.
Todos nós vivemos sob crivo externo.
Infelizmente.
Seja por questões sociais, ou por osmose, conduzimos nossas escolhas de forma a ser conveniente numa sociedade partilhada.
Isso não é errado, pelo contrário, demonstra que temos coerência e consciência.Afinal, quem alega ser dono do próprio nariz e seguir somente as próprias escolhas sem se preocupar com o outro, no fundo é um grande hipócrita mesquinho. É impossível viver em sociedade conforme as próprias regras.
Mas, com o passar dos anos, vai-se descobrindo possibilidades possíveis de desapego. Por exemplo: ser autêntico nas suas próprias definições e opções.
Sendo mais explícita: me dou o direito de descabelar, falar palavrão, gargalhar alto e ser bem baranga quando isto não causar constrangimento a terceiros.
Lógico que, não vou mandar o atendente daquela lanchonete famosa comer tomate cru quando estiver com meus filhos se ele me entregar um lanche todo desmontado depois de um zebilhão de minutos esperando pra ser atendida na fila.
Se alguém disser que vou constranger o rapaz da lanchonete, não concordo. Estou apenas devolvendo a cortesia.
Hoje também ouso usar um batom vermelho no meio do dia. Quem quiser olhar, fique a vontade.
Num mundo perfeito eu poderia ler mais livros, assistir a mais filmes, tomar mais vinho com meu marido, andar mais vezes descalça, ficar mais vezes pelada sem me preocupar com os vizinhos, tomar meus remédios sem dar satisfação e xingar meu chefe quase todo dia. Mas não vivemos num mundo perfeito, então, me dei o direito de ser uma espécie de contraventora social.
Sei que todos amam pessoas bem humoradas, politicamente corretas e seguidoras do bom senso social.
Mas eu adoro decepcionar.
Então, sigo implicando com um tanto de gente, torcendo o nariz pro povinho de riso fácil e dando de ombros pras tais conveniências sociais.
Lógico que perco oportunidades de ascensão profissional, é de longa data sabido que os puxa sacos de plantão costumam se dar bem, ainda que provisoriamente. Também não sou eleita miss simpatia.
Mas quem conhece meu coração e minha alma sincera, permanece comigo.
Meu marido, meus filhos e alguns bons amigos.
Ou seja, só quem de fato importa.



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