segunda-feira, março 05, 2012

TEORIA DO CAOS

A visão da plataforma lotada é desanimadora.
Mentalmente traço um plano e uma estratégia: " vou ficar rente a linha amarela e trilhar até chegar à porta. Infalível!" Mesmo sabendo que meu plano vai pelas cucuias, gosto de me iludir.
A ilusão começa antes das seis da manhã, quando acordo cheia de perspectivas de um dia maravilhoso, mas eis que me dou conta: hoje é segunda feira. Não vai rolar maravilha nenhuma...
Mas teimosa que sou, lanço mão de nova ilusão enquanto subo as escadas rolantes que me levam as catracas do metrô.
" Caramba!! É procissão???"
Não, é apenas uma fila infernal criada pelos técnicos geniais metroviários para diminuir o impacto humano na plataforma.
Te convenceu?
Nem a mim ou aos zilhões de sardinhas ambulantes que caminham feito formigas numa fila indiana ridícula.
Mas a tal da ilusão é uma praga mesmo e dá as caras novamente.
"Quem sabe a plataforma não estará tão lotada...afinal hoje é segunda e o povo pode ter  optado em ir trabalhar de carro!!"
Mal ultrapasso a catraca e já me bate um "quê" assassino. Impossível não pensar em empurrar aquele mar de gente na via e dessa forma conseguir um lugarzinho dentro do vagão...
Mas aí o metrô chega e feito louca me jogo lá dentro. Aliás, dentro é força de expressão, porque na verdade eu fico rente à porta, espremida e rezando pra não ser devolvida a plataforma.
O ar é quente, os odores diversos, a música vinda de um fone de ouvido de quinta categoria rebumba pra quem quiser ouvir, as conversas variam entre a novela e seus personagens alçados a condição quase real de existência e o último paredão do Big Brother. É o caos.
Como alguém pode chegar são ao trabalho nessas condições?
O metrô segue com paradas não programadas entre as estações e a voz mecânica do condutor que anuncia "paramos para aguardar a movimentação do trem à frente", oscilando sempre com o senso de humor negro  " se você não vai desembarcar na próxima estação, não fique na região das portas".
Me imagino com um boneco vodu na mão e muitas agulhas. No centro do boneco o nome "condutor" escrito ...
Quando finalmente chego ao meu destino, estou amassada, enjoada, descabelada e todos os "adas" que possam existir.
Saio da estação com sensação de ter sobrevivido em um campo de batalha.
Fico tentando lembrar de todos os mantras ditos e decorados quando sofro um empurrão.
Impossível.
E aí do nada vejo um executivo adequadamente trajado. Em seus ombros um par de pequenas perninhas balançam. Uma garotinha com seus cabelos encaracolados todos desarrumados e um sorrisão me desarmam. O pai a mantem sobre os ombros, orgulhoso, tranquilo,  e as perninhas seguem balançando...
Respiro aliviada.
Ainda existe vida feliz as sete da manhã de uma segunda feira.
O dia enfim, há de ser maravilhoso.




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