terça-feira, fevereiro 28, 2012

HÃ???

Todo escritor é meio metido a besta.
E todo metido a escritor é metido a besta por inteiro.E digo isso por mim mesma.
Muitas vezes me pego lendo um artigo que, de tão rebuscado, torna-se incompreensível. Acontece que existe uma retórica de que, quanto mais cheia de palavras incompreensíveis for o texto, mais intelectual será o autor do mesmo. E dá-lhe palavras e frases carregadas de sinônimos e sentidos pitorescos.
Outro dia mesmo li uma crônica na Folha de São Paulo de um cronista (que, por sinal, gosto muito), e no final do texto me perguntei " mas sobre o quê exatamente ele estava falando??" E até agora juro que não sei...
Acontece com todos nós. Quem nunca teve um momento Camões na vida? Certa vez escrevi uma pequena estorieta sobre minha bolsa Louis Vuitton. Caprichei tanto que, por um breve momento, achei tratar-se de uma pessoa, e, não fosse eu a autora da proeza, teria certeza de que era.
" Hummm, pessoa interessante esse Louis.... quero conhecer".
Já li também uma crônica sobre um bule de café. O autor, que também admiro, assumiu estar sem muitas idéias quando bateu o olho no bule de café fumegante e discorreu sobre suas qualidades e pensamentos.
Sim, neste caso, o bule pensava.
Acabo de perceber uma linha tênue separando a razão da loucura(ou bizarrice, como queiram) em comum comigo e meus afetos escritores.
Será coincidência?
Se nos atraímos pela verosimilhança, teremos em comum a loucura ou a esquizofrenia?
Evidências apontam como certo um processo fortemente enlaçado, ou catatônico, sugerindo por analogia uma manifestação semelhante a fenômenos psicóticos.
Gradualmente atesto que sim, sou metida a besta por inteiro.

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