quarta-feira, dezembro 14, 2011

SEJAMOS FÉIS

Se existe uma coisa que eu amo no meu marido, além de todas as outras, é que ele assim como eu, adora música.
Aliás, nossa história se desenvolveu paralela a música que ouvíamos na cama todas as noites, discutindo qual era mais bacana, mais a nossa cara, entre risos e muita cantoria desafinada. Ainda hoje temos esse hábito e frequentemente resolvemos ficar ouvindo a noite, antes de dormir, antigas canções de bandas que nem existem mais.
Lembrei de um filme que assisti sozinha e depois juntos: Alta Fidelidade.
Um dos filmes mais cult de todos os tempos pra quem curte música, romance, cinema, humor e atuações incríveis.
Além da estória, derivada de um livro homônimo, há a playlist do filme que por si só vale a espiada.
E claro, há o personagem de John Cusack que abre o filme olhando para a câmera disparando a seguinte pergunta: " O que veio primeiro? A música ou a miséria? As pessoas se preocupam com crianças brincando com armas, vendo vídeos violentos, como se a cultura da violência fosse consumi-las. Mas ninguém se preocupa se escutam milhares de canções sobre sofrimentos, rejeição, dor, miséria e perda. Eu ouvia música pop porque era infeliz ? Ou era infeliz porque ouvia música pop ? "


Pois é...
Eu marco as épocas da minha vida por músicas.Existe a época da ternura, do sonho, da inocência. Depois a época da rebeldia, da contestação, do engajamento político. Posteriormente começa a fase de amadurecimento, responsabilidades, contas e tudo o mais.
Enfim, para cada um destes momentos existe também um momento musical, uma escolha que caminha aos sentidos e aos sentimentos. 
Filmes e música são parceiros de um casamento que precisa beirar a perfeição.
Muitas vezes a música por si só retrata o filme, e fica impossível assistir sem ela. Fica evidente a importância de uma trilha para qualquer película que seja.

Quando estou um pouco deprimente, não dou um passo sem o fone devidamente acoplado no meu ouvido.
E lembrei de um coisa muito estranha que eu fazia quando criança, que era fazer fundo musical pras minhas estripulias. Eu corria e murmurava huuulalanenem tan tan tan, e tudo ganhava outras cores, principalmente por conta das caras e bocas que acompanham a introdução musical.
Também já segurei o cabo da esova de cabelo e fiz apresentações memoráveis na sala de casa. A platéia de bonecas aplaudia entusiasmadíssima....
Preciso confessar que às vezes, ainda faço isso, funciona como um exorcismo: no lugar do padre entra Bowie ou Mick Jagger e no lugar da água benta a escova de cabelo ou a colher de madeira da cozinha.
Aloka.
E voltando ao John Cusack, tenho certeza de que a ausência cultural de alguns lugares refletem literalmente seu peculiar gosto musical.
Mas melhor não cutucar morangos do nordeste com vara curta...




Imagem: Reprodução fade to black

Você pode gostar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...