segunda-feira, dezembro 26, 2011

PIPOCÓLATRA

Alguém que gosta de escrever como eu, sempre passa por períodos que vão da mais absoluta falta de idéias a alguma suprema e genial sugestão.
Quando me perguntam de onde vem as idéias, nunca sei muito bem como responder. Na verdade posso olhar para uma chaleira fumegante de café e imaginar a incrível estória de um vulcão, ou simplesmente escrever sobre a delícia do cheiro de café num bule fumegante. Simples desse jeito.
Vivia eu dias de ostracismo intelectual, quando eis que recebo a visita de um sobrinho mui querido.Ele, a esposa e os filhos deram uma passada em casa por conta do natal e encheram a casa de alegria. Juntando todas as crianças tínhamos um total de 5 pessoinhas correndo pra lá e prá cá. Meu marido resolveu fazer pipoca pra garotada e aí aconteceu a tal magia: meu sobrinho mastigando um punhado de pipocas disse que eu também era uma pipocólatra. Falei "sou o quê?? pipocólatra??"
Genial!
Pipocólatra, como não pensei nisso antes?
Um pipocóltara não é simplesmente uma pessoa que gosta um bocado de pipoca, mas alguém que não consegue imaginar a sua vida sem um balde de pop corn.
A pipoca é algo assim meio onírico pra mim, é encantada por si só. Idéias sobre o tal milho pipocaram em minha mente conturbada, e na verdade a própria ideia é uma pipoca - surge de maneira inesperada - imprevisível.
Que coisinha surpreendente é a danadinha! Você vê aquele milho pequenino, mirrado e nem imagina do que ele é capaz quando se junta a sua comparsa panela. Uma explosão de sons, similares a fogos de artifício, pululam bem no meio da cozinha.
Nunca fui amante da culinária, mas fazer pipoca exige maestria: o óleo precisa ser pouco pra não encharcar, a panela grande que é pra não grudar, o tempo preciso que é pra não queimar, e meu pai dizia que se déssemos umas batidinhas com a colher na tampa da panela quando o milho começasse a estourar, nenhum piruá haveria de ficar.
A pipoca também é um ser mutante, assim como nós. Ela nasce milho e graças ao fogo vira pipoca.
Metaforicamente a pipoca nos ensina.
E minhas idéias hão de saltitar dentro da caixa craniana como o milho saltita na panela. E não se trata de uma analogia barata, como o caso da criança que não conseguia pronunciar irmão e chamava o mais velho de mamão,  mas de algo absolutamente tangível.
Sendo assim, na falta de idéias vou pra cozinha estourar pipoca.






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