terça-feira, novembro 01, 2011

TEORIA DO CAOS

Sou uma pessoa rabugenta e resmungona desde sempre.Também sou teimosa e metida a sabichona.
Detesto futilidades e pessoas fúteis, mas adoro ler sobre qualquer tipo de bobagem, o que me torna incoerente, outra característica minha. Minha tolerância para pessoas infantilóides é zero. Não tenho saco pra gente que quer ser engraçadinho o tempo todo.Sabe aquelas pessoas que adoram um risinho fácil e que se divertem até em velório? Pois é, imagino várias cenas quando cruzo com alguma delas, e em todas quem sorri sou eu...
Acho inconveniente pessoas que adoram detalhes da vida alheia, mas ao mesmo tempo percebo que cada vez mais estamos ligados na vida do outro.Exemplo disso são as revistas, canais e sites especializados em expôr o telhado do vizinho. Todos somos responsáveis por isso porque alimentamos essa podridão cada vez que, paramos pra ler sobre o filho de não sei quem que nasceu, ou a entrevista de fulana que perdeu todos os quilos extras após a gravidez ou ainda sobre a separação dolorosa de ciclana. Eu leio, você lê, mas admitir são outros quinhentos.
Pode ser que eu esteja envelhecendo e ficando mais resmungona e rabugenta do que o costume, mas, percebo a cada dia que passa uma histeria coletiva anti envelhecimento, anti pizzas e anti chocolates.
O incrível de nossa infância era comer bolinhos de chuva, bolos de cenoura cobertos com chocolate, andar descalço e assistir programa Silvio Santos na televisão. Nossas mães tinham cara de mães, nossas avós idem e se comportavam como tal. Inimaginável dividir roupa com minha mãe e festas de adultos. Sim, houve uma época em que existia festa de adulto e criança tinha hora pra estar na cama.
Mais ridículo do que as senhoras de setenta querendo aparentar trinta e seus comportamentos juvenis, é a inclusão de palavras estrangeiras no nosso vocabulário. Hoje você não diz falso, diz fake. O que está na moda é in e o que não está é out. As lojas apresentam faixas Sale 50%, e azar o seu se não souber o que é isso.
A aritmética é fácil:  pessoas siliconadas, conversas plastificadas, mídias explorativas, infâncias robotizadas e vocabulário chulo = mundo globalizado.
Ser discreto é quase uma heresia.
Eu cresci admirando artistas do teatro que, minha mãe dizia, trabalhavam na extinta tv tupi. Os artistas invejados trabalhavam no circo e no tablado. Hoje artista inovador veste roupa de carne.
Tempos modernos?
Bobagem.
Estamos seguindo o curso dos anos retrocedendo a mente.
Parecemos e nos comportamos como macacos adestrados, e estamos perpetuando a espécie.
Talvez eu tenha uma alma atormentada, mas espero deixar memória rica pra meus filhos e me recuso a viver essa realizada esfarrapada.


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