domingo, novembro 06, 2011

A LOUCURA DE SER SÃO

Daí um dia você acorda e acha que tem um parafuso a menos. O sol está forte, os pássaros cantam, seu cabelo não está um estrago, suas unhas idem, teve uma noite romântica ou assistiu a filminho bacana, dormiu bem e muito, mas mesmo assim, aquela sensação de que algo está errado não desaparece.
Você se olha no espelho e tenta encontrar um bom  motivo pra sorrir: pensa na família, pensa no trabalho, pensa nos amigos, pensa até no shopping, mas nada surte efeito. Talvez uma barra de chocolate resolva. Talvez seja TPM. Talvez você só esteja num dia ruim.
Mas outro dia chega e a sensação não desaparece.
Alguns amigos mais chegados (não é o tipo de coisa que se conta pra todo mundo) sugerem que você procure uma ajuda clinica especializada. Como assim? Tô doida?
Pelo sim, pelo não você procura um psiquiatra (mas só pra acalmar os amigos) e resolve ver no que dá. O médico é simpático e começa pela pergunta de praxe: " Então, o que você está sentindo?", e aí você,  pra não deixá-lo lá,  parado, constrangido, começa a descrever o seus dias de tédio e completa ausência de tudo. E eis que de repente se descabela. Um choro contido e escondido sabe-se lá aonde, urge.
Para sua surpresa, se pega contando coisas que, nem você, sabia ser tão importantes assim. Por que guardei isso? Por que não segui em frente como a maioria das pessoas faz? Por que me permiti ficar assim?
São muitas perguntas e uma sugestiva solução: remédios e análise.
Logo você, que não toma nem aspirina pra dor de cabeça, agora precisa tomar anti depressivo e expôr suas fraquezas a um completo desconhecido. Quem disse que essa pessoa tola tem o poder de destruir essa sensação ruim?
Mas pior do que está, não pode ficar. E pelo sim , pelo não, você compra os remédios e começa a análise.
Lentamente, mas bem lentamente mesmo, você percebe que a maldita ausência parece desaparecer. E há dias em que você tem certeza de que ela nunca mais voltará.
Mas, ás vezes ela volta e você novamente se descabela, mas evita cortar os pulsos(horror a sangue), e mais forte do que poderia imaginar que ficaria, sobrevive. Até que o médico tolo não é tão tolo assim...
Claro que, a imensa maioria inquisitiva,  tem certeza absoluta que trata-se de mero chilique de sua parte. Uma frescurite, digamos assim. Afinal, são fortes combatentes das dores do mundo e não admitem fraquezas desse tipo. Exatamente como você, antes de conhecer o tal médico tolo.
E desta maneira você acaba até grata á tal da ausência, afinal, graças a ela, pôde ver o mundo e suas pessoas de maneira diferente. Aprendeu que todas as dores são relevantes e que se descabelar é fundamental.
Aprendeu que só o hoje é importante e que, vale a pena se empanturrar de comer pipoca  assistindo um filminho, ainda que depois você ponha toda a sua dieta a perder, se você estiver muito a fim de comer pipoca.
E que você não precisa ser super em coisa alguma, porque ninguém é super em nada.
E mais importante, entendeu que questionar ao mundo e a si próprio é sinônimo de lucidez e não o oposto. Os que não duvidam, certamente estão no cemitério, ou apenas perambulam entre nós.
Tantas coisas a compreender...
Mas por ora, um comprido aqui, e um papo ali já estão de bom tamanho.

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