quarta-feira, outubro 26, 2011

...NEM FOI TEMPO PERDIDO...

Nos primórdios dos anos 80 eu usava um cabelo curto pintado de azul e me matava pra deixá-lo espetado feito uma crista de galo, tendo em mente a idéia original  de convencer todos os demais mortais que eu provavelmente dormia de cabeça pra baixo e acordava daquele jeito.
Minha calça jeans era rasgada nos joelhos, minhas camisetas furadas e meus pés vestiam coturno.
Meus amigos de colégio se vestiam tão igual e bizarro quanto eu, sendo a nossa maior curtição ficar de bobeira ouvindo um ou outro dedilhar músicas da Plebe Rude, Capital Inicial, Legião Urbana e Inocentes entre outros no violão. Na realidade ninguém tocava nada, mas a sensação de pertencer a uma turma que ria e discutia sobre música como críticos ferozes do show business era indescritível.

Claro que nos achávamos muuito melhor que todos os demais que não curtiam rock, e fazíamos das letras de protesto da Legião nosso grito inconformado com a roubalheira que assolava um país de inflação e corrupção sem fim.
Fui uma legítima cara pintada e bradei a plenos pulmões pelas Diretas imaginando um futuro promissor.
Éramos rebeldes.
Éramos desbravadores numa época em que o rock'n rol era a nossa espada e Renato Russo nosso líder.

O tempo passou.
Nosso líder se foi,  levado por uma doença cruel e até então desconhecida.
Muitos de nós casaram, tiveram filhos e vez ou outra arriscamos ouvir um Sex Pistols ante o olhar intrigado de nossos rebentos.
Os festivais de música trazem personas famosas por apresentações recheadas de play back e declarações polêmicas que nada dizem.

Foi com muita emoção e, saudosismo bom pra caramba,  que assisti a " Rock Brasília" na sala de cinema.
Eu e mais três pessoas.
Inacreditável a falta de cultura de nossos jovens.
Do outro lado, a fila gigante pra assistir um block buster americano recheada de jovens usando camisetas de bandas que certamente, jamais ouviram.
O documentário é obrigatório para quem, como eu, viveu plenamente a época de ouro do rock nacional. assim como para quem só ouviu trechos de músicas da Legião sem sequer saber quem era Renato Russo, ou o Aborto Elétrico. Ou a Plebe Rude e suas letras desconcertantes.
Numa época em que não existia jabá nas rádios, eles fizeram história e abriram caminhos.

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