terça-feira, agosto 30, 2011

O VENDEDOR DE ABÓBORAS

A simpatia em pessoa é Kazuo.
A primeira vez que encostei em sua banca de verduras já foi logo explicando que, todas as verdinhas vinham direto de sua chácara, e me fez conhecer uma tal de Tessai que "tem gosto de mostarda e não é amarga", e com essa indicação nutricional ganhou minha admiração eterna.
Kazuo tem uma banca de verduras na feira de domingo aqui perto de casa e trabalha em família: pai, mãe,  e seu irmão Massao.Aliás, quando contei que tenho um gato chamado Kazuo ele sorriu e entre encabulado/inconformado perguntou "mas de onde você tirou esse nome?" e eu " de um desenho das meninas superpoderosas ué", mas pela cara que ele  fez ficou claro que nunca ouviu falar nessas criaturas...
Muito diferente de Kazuo é o vendedor de abóbora e sua mulher estranha.Não faço a menor idéia de seu nome e, sinceramente, nem quero saber. Não é que eu queira arrumar inimizade com o vendedor de abóbora, até porque não sou pessoa de cultivar inimizades, mas existe uma antipatia natural entre nós. Na verdade, tenho a sensação de que ele e sua mulher estranha nem desconfiam que esta ilustre que vos fala existe, mas uma teima me acomete toda vez que vamos até a sua banca. Tudo começou no dia em que eu queria uma abóbora que não estava embalada no saquinho e ele (propositadamente, tenho certeza!) disse que " essa é mais cara porque vou ter que descascar e cortar, leva essa aqui que te faço um desconto", e já foi separando um saquinho.Achei um abuso!!
Veja bem, não sou pessoa de procurar pêlo em ovo, mas ele, além de não querer descascar e cortar a abóbora que EU escolhi, ainda tem a audácia de achar que me compraria com uma oferta nababesca, ou melhor, abrobesca?  Como eu ia ficar quieta e ainda simpatizar com um sujeito desses? Busquei um apoio amigo nos olhos da mulher estranha, afinal somos mulheres e devemos nos unir, mas a dita bufou, resmungou um ruído inaudível e escancarou um " oi freguesa" pra uma senhora de cabelos brancos e óculos, bastante parecida com minha falecida tia Expedita, que Deus a tenha.
Á partir desse dia percebi que um muro da discórdia erguia-se entre nós.
O problema é que eu adoro abóbora, e meu marido provavelmente acalentou na infância o sonho de ser representante da ONU, porque tem mania de encarnar o conciliador humanitário e teima em desafiar minhas.implicâncias. Eu acho sinceramente que até o senhor Niagy, mestre de Daniel san, perderia a paciência com o vendedor de abóboras e nunca, jamais, compraria nadinha que fosse lá.
Domingo passado, atarefada com a casa, pedi ao meu amor para ir até a feira e, entre as verduras de Kazuo também estava na listinha minha amada abóbora.
Dia vai, dia vem e, depois de já ter dado cabo da dita cuja ,descubro que meu marido comprou a querida espécie na banca da mulher estranha e do meu desafeto vendedor. Olhei incrédula para o meu marido e exclamei a plenos pulmões "o quê??" e ele " o que eu posso te dizer? desculpa? foi mal? de que adianta agora que você já comeu a abóbora toda..."
Verdade. E nem fez diferença.
E ele continuou " se serve de consolo, só tinha na banca dele".
É o tipo da coisa que a gente tem que aceitar, e amargar. Mas se você vier até a Penha no domingo e resolver ir até a feira, não ouça Tim Maia cantando "me dê motivos" antes, principalmente se for comprar abóbora.Tem coisas que evidentemente, é melhor evitar.
Pode reparar.



imagem: reprodução

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