quarta-feira, agosto 24, 2011

A ARTE DE SER GRATO

Em um poema famoso, Elizabeth Bishop diz que todos deveríamos perder uma coisa por dia, segundo Bishop existe "a arte de perder", e lendo um texto hoje pela amanhã, consegui perceber que muitos de nós só conseguimos enxergar o que perdemos e nunca agradecemos a perda. Na realidade, se existe de fato a arte de perder, também há de existir a arte de agradecer.
Um exemplo banal pode ilustrar o ponto de vista. Quando a tv da sala pifa, automaticamente entramos em desespero "e agora? vou perder a novela? e o jornal da noite, o programa do final de semana? " tudo o que nos vêm a mente são as perdas.Porém, quando você coloca o jantar na mesa e surpreendentemente percebe que a família está toda sentada lá(fato raro) e após o jantar acabam conversando sobre banalidades e até arrisca-se perguntar " como foi seu dia hoje?", cabe a pergunta: será que se a tv da sala não tivesse pifado a noite teria sido tão bacana como foi? Ou cada um teria feito o seu prato e sentado na frente da tal tv com os olhos vidrados na tela sem se dar conta de que ao lado existia uma outra pessoa?
Então, neste momento,  heis que deveria surgir a arte de agradecer.Houve a perda do aparelho que divertia a família, mas por outro lado, graças a essa perda, também houve uma maior aproximação familiar, e é esse pequeno detalhe, (observar também os ganhos), que muda a temática da vida.
Costumamos adotar como prática exacerbar todos os acontecimentos que nos desagradam, e levamos invariavelmente para o campo pessoal. Porque " se a fulana agiu assim, só pode ter sido de propósito!Ela nunca gostou de mim!", e por aí vai. Porém, deveríamos então, também invariavelmente, adotar a mesma prática com os agradecimentos. Sendo que " a fulana agiu assim, mas, proposital ou não, graças a isso foi possível ter a oportunidade de aprender tal coisa, e essa tal coisa me será útil posteriormente".E não há dúvida que aprendemos todos os dias, desde que tenhamos a mente e o coração aberto para observar e absorver tais oportunidades.
Mas ninguém lembra-se de agradecer.
Não falo aqui dos bajuladores e tampouco dos que praticam atos esperando a glamourização do feito.Estes ainda não foram classificados por mim, portanto nem merecem menção.Falo apenas da atitude em reconhecer que se, em algum momento fomos machucados, feridos ou até ignorados por alguém, precisamos arrancar de dentro de nós o positivo dessa experiência e aprendermos com ela.E sermos gratos a essa pessoa por nos proporcionar tal aprendizado.
É muito duro exercitar isso, e falo por experiência própria, mas acreditem, a leveza que se sente ao olhar para o ser humano de forma diferente é inexplicável.
Existe também aquela parcela de pessoas que tem ótima memória para apenas observar e memorizar os feitos negativos(segundo o seu ponto de vista) dos demais, e sofrem de Alzheimer induzido quanto aos feitos positivos, " Não acredito que fulana agiu assim!" Como pôde fazer isso comigo??", mas não fazemos o menor esforço para lembrarmos que a "fulana" é um ser humano igualzinho a qualquer um de nós, e nunca nos colocamos no lugar da dita ou do dito cujo e nos perguntamos se no lugar dele por acaso faríamos diferente. E pior, neste momento, tudo o que a fulana ou o fulano nos fizeram de bom algum dia, como por mágica desaparece.E não falo de grandes feitos. Pode ter sido um sorriso aberto num dia triste.Ou uma palavra amiga num momento difícil.
É um grande paradoxo não é mesmo?
Seria o caso, então, de aprender a perder, mas também de aprender principalmente a agradecer, e neste exercício colocar-se no lugar do outro para tentar sentir sua dor, sua limitação e apenas ficar com o que é bom.
Não seria ótimo se levássemos os agradecimentos para o lado pessoal?
Ser grato é ter elegância com a vida, e isso supera um armário cheio de roupas e sapatos caros, mas algumas pessoas entendem a elegância de outra maneira, mais fútil eu diria. Interessam-se mais pela vida dos outros e não entendem que, não deveriam querer saber de coisas que não são da sua conta e, também deveriam manter-se caladas frente o desconhecido ao invés de tagarelar comentários inoportunos e descabidos.
Portanto, seja grato a quem o ajuda ou ajudou,  olhe a vida pelo olhos do outro, afinal, como disse alguém que me falha a memória " não existe plástica que redefina o caráter, a intolerância, a falsidade, a grosseria e a incompetência..."



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