domingo, julho 24, 2011

Nina, a pequenina.



Não é que eu não soubesse que certamente alguma pérola surgiria, eu só não imaginava que viriam tantas.
Os cientistas devem ter uma explicação plausível para o fato de uma criança de 6 anos conseguir com seus poucos centímetros reduzir a mim e ao Everest a um punhado de azeitonas decerebradas.
Minha filha Nina é uma pequena terrorista que teima em desafiar o nosso bom senso.
Vez ou outra ela consegue desconcertar qualquer um com suas frases e definições.
Outro dia inventei de fazer um feijão tropeiro e assim que meu marido chegou em casa ela saiu disparando " papai, a mamãe fez feijão torpedo hoje!"
Eu não entendo também a mania que ela tem de ser definitiva em suas convicções.Vez ou outra quando surge um assunto sobre namoro com os irmãos mais velhos, ela diz toda cheia de si " eu nunca vou casar! Talvez eu namore, mas casar eu não vou não!"
Beira o absurdo também o seu conceito de família.Inventou que tem filhos: bichos de pelúcia que ela nomeia de maneira esdrúxula e pra piorar ainda me elege avó deles, " mamãe você é a vó do petlepoodle (le-se pitol pudol)" e antes de nós comprarmos um boneco Ken, ela resolveu carecar uma Susie e a coitada virou o Ken.
Receio que ela nunca mais encontrou a própria identidade.
Outro dia estava deitada quando ouvi uma barulheira tremer a escada de casa. Inicialmente pensei em terremoto, depois que alguém houvesse enlouquecido e finalmente compreendi que tratava-se da Nina correndo para o meu quarto pra dar uma notícia: " mamãe, fiz a árvore ginecológica da família!", e eu, " árvore o quê Nina??" e ela " ah, sei lá, uma árvore com as pessoas da nossa família, mas falta pintar!"...
A última que ouvi aconteceu no café da manhã.
Meu marido havia enviado uma mensagem pelo celular(que ela correu para ler antes de mim) e ela disparou " mamãe sabia que eu vi ele hoje de manhã, antes dele ir pro trabalho?" e eu egoisticamente, crente que iria cumprir meu papel mor de educadora me apressei em fazer a correção " eu O vi Nina". E então acontece o esperado: " não mamãe, eu não ouvi, eu vi ele mesmo!".
Fico cada vez mais impressionada com a capacidade dessas pequenas criaturas se atentar e interpretar nossas bizarrices.Outro dia me pediu um batom emprestado e saiu a fazer caras e bocas " o que é isso Nina?" " ué, as moças nas revistas fazem assim!" e dá-lhe caretas e poses...
Sinceramente não sei aonde o mundo vai parar, mas posso imaginar a pequena Nina desbravando mares e florestas, desconcertando definições e claro,os grilhoes biológicos do bom senso.
Ela adora bananas e morangos, mas detesta legumes.É a única criança que conheço que não gosta de refrigerante e nuggets, mas adora pão com geléia.
Vez ou outra somos chamados na escola para ouvir elogios sobre a pequena Nina " nossa, ela lê tudo com perfeição e escreve muito bem!" e claro, ficamos orgulhosos com isso, mas o que acontece é que essa pequena criatura já não se interessa muito por desenhos típicos pra sua idade. Na verdade suas escolhas são....digamos, inusitadas: " mamãe posso assistir Carrie A estranha?"
E enquanto eu e meu marido precisamos buscar no google explicações sobre algumas utilizações do nosso computador, a pequena terrorista Nina joga qualquer joguinho da barbie ao super mário sem a menor dificuldade.
O mundo que se prepare pois a pequena Nina está para fazer aniversário e consequentemente está crescendo.O que nos reserva o incomensurável destino?
" Mamãe você sabia que homem das cavernas tinha esse nome porque ele morava em cavernas?" " ah é?" " é, mas porque chamam ele assim heim? a mãe dele não colocou nome nele? eu acho feio isso, porque aí então a gente teria que chamar quem mora em casa dee homem das casas e quem mora na chácara seria homem da chácara..." e segue-se um blá, blá, blá....
" Sabia que a vovó é uma figura? Outro dia ela falou - Ah vai chover! - e fez há há há...não sei que graça tem em chover. ..  Eu acho que a vovó devia ser a bruxa do 71 do Chaves porque só tem uma velhinha no Chaves, mas ela é um doce não é mamãe? Apesar que as vezes ela sabe ser bem brava também!" E sai a gargalhar sozinha depois de quase perder o fôlego com tanta informação ao mesmo tempo.
Ah Nina, quem vê esse nariz ralado e essa pessoinha de poucos centímetros certamente não imagina que o mundo reside aí dentro.
Dentro de uma pequenina chamada Nina.

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