quarta-feira, maio 18, 2011

RIDICULAMENTE INCORRETO

Escrever para mim é terapia.
Escrevo desde criança, e lembro perfeitamente de um pequeno caderno de brochura recheado de escritos e de uma garotinha que usava chiquinhas para ir a escola e chamou atenção de sua professora de primário por passar o recreio com um lápis e o tal caderninho debaixo do braço.A garotinha era eu, que preferia a compania da escrita a das pessoas.
Uma vez meu pai me perguntou se eu queria uma vitrola(última moda no anos 70, acredite) de aniversário ou uma enciclopédia(naquele tempo vendia-se enciclopédias e livros de porta em porta), não tive dúvidas e pedi a enciclopédia.Ainda tenho os livros.
Claro que acabei ganhando os dois, meu pai devia ter achado que eu estava tendo algum surto passageiro de criança.
Minha mãe vivia aos berros comigo dizendo que eu ficaria cega cedo(italiano e seus descendentes tem mania de exagerar em tudo), e para corroborar a lenda de que as mães sempre tem razão eu não fiquei cega, mas uso óculos e minha visão segue ladeira abaixo, mas o fato que gerava os destemperos da minha mama é que, eu fazia todas as refeições com um livro do lado, lia até na meia luz e também não tinha muito critério para leitura confesso, ia de Fernando Pessoa e Agatha Cristie a fotonovelas, um ícone na época.
Eu escrevo o que me vêm ao coração e a cachola, mas ainda que algumas poucas pessoas(comparado as "blogueiras de sucesso")leiam diariamente o que aqui publico, tenho sempre a preocupação sobre o que posto e a veracidade e até impacto que isso possa causar no interior dos leitores do post.
Se eu ganhasse para escrever(o que sempre foi meu maior desejo super, mega, master secreto), sabedora da visibilidade que meus escritos teriam, tomaria cuidados triplicados.
Então, como explicar que alguém que, além de ter a sorte de poder partilhar com as pessoas seus conhecimentos e ponto de vista ganhando pra isso, escreva bobagens do tipo " ...a última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz", se referindo aos velhos de Higienópolis que temem o metrô?
Quem escreveu essa bizarrice em seu Twitter foi o comediante Danilo Gentili que, não imagino como, quis fazer graça.
Aliás, um adendo.Eu não consigo assistir por mais que alguns parcos minutos o programa da Bandeirantes chamado "QCQ" e que tem esse rapaz como uma das atrações principais.É muita bobagem sem nenhum pingo de graça. Na minha opinião um desperdício de tempo televisivo e de talento, porque Marcelo Tas pode fazer coisas muito mais bacanas de assistir.
O fato é  que esse tal de Danilo Gentili imagina que as pessoas partilham de seus pensamentos esdrúxulos, e abusa em piadas sobre negros, homossexuais e agora judeus.
Disse o jornalista Marcelo Coelho " Todo pateta com pretensões à originalidade e à ironia toma a inicitiva de se dizer "incorreto" - e com isso se vê autorizado a abrir seus destampatório contra as mulheres, os gays, os negros, os índios e quem mais ele conseguir", e isso se aplica ao citado rapaz que faz um humor denominado "politicamente incorreto".
O politicamente incorreto permite fazer graça com qualquer pessoa, e tem a missão de  fazer parecer ao seu interlocutor um porta voz da sociedade, que se vê representado por aquela figura icônica com poderes para tirar sarro de pessoas públicas num momento em que a classe política deste país exagera e sobra em corrupção.
A questão é que esse "porta voz da sociedade" se engrandeceu frente tanto poder e perdeu (a tempos) os limites do bom senso, e na tentativa de fazer rir atira pra todos os lados, doa a quem doer,  e o fato de se desculpar posteriormente não diminui a gravidade ou a bizarrice de uma piada absurda como a que ele fez aos velhos de Higienópolis.
Como disse Marcelo Coelho, " ..é este um dos mecanismos, e não o vagão de um metrô, que ajudam a levar até Auschewitz".
Deus nos livre daqueles que, tomados de tanta ignorância ainda tentam manifestar suas idéias de maneira a torná-las absolutas e dos que fazem rir das coisa de que nos envergonhamos como humanos que ainda somos. E os vagões que seguiam lotados para Auschewitz com seus campos de concentração e extermínio são um deles.
Parece que só o comediante não sabe disso.

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