terça-feira, maio 24, 2011

PARA PENSAR...

Lembro de um comercial de televisão em que uma voz pergunta " o que faz você feliz?"
Será que a felicidade é um sentimento que habita dentro de nós, e que, após uma "busca interior" podemos enfim encontrá-la e nela permanecer? Ou será que algumas situações apertam o gatilho da felicidade e nela permanecemos temporariamente para depois voltarmos ao estado base?
Eu não sei a resposta, mas talvez não seja nenhuma das opções acima.Ou ambas.
Perceba que a pergunta é " o que faz você feliz?", subentendendo-se que a felicidade surge de fora para dentro, ou seja, algo que provoque em você a sensação de felicidade.Sendo assim, a resposta para aquele comercial poderia perfeitamente ser " um carro, uma viagem, dinheiro no bolso, um beijo, um sorvete...", mas neste caso estaríamos condenando nossa felicidade ao externo, certo?
Mas será possível ser feliz sem intervenção, sem incentivo, sem ajuda?
Me lembrei dos monges, das clausuras e das pessoas que optaram por viver longe dos estímulos (tv, rádio, jornal, revista, etc).Será que elas são felizes?
Se não são, porque vivem sorrindo?
Aliás, como alguém que vive absolutamente sozinho ou no máximo olhando para as mesmas caras todos os dias, e faz tudo sempre igual todo santo dia, pode ainda ter motivos para sorrir?
Nietzsche era um solitário e tinha enxaquecas terríveis que por vezes lhe causavam cegueira.No entanto, dizem, ele era um homem alegre quando fazia suas caminhadas, lia seus livros e ouvia suas músicas.
Acredito que esses eram os "gatilhos" de Nietzsche.
Eu acho que entendo os monges e as pessoas que escolheram a solidão. A diferença entre estas pessoas e nós outros, é que eles transcendem as coisas.
Eu posso olhar todos os dias para uma pedra e ver apenas uma pedra, mas Drummond olhou para uma pedra e viu uma poesia.
Existem pessoas que não sofrem de cegueira como sofria Nietzsche e ainda assim nada enxergam.
Quanto a mim, posso dizer que ainda estou na fase dos estímulos e costumo ficar feliz quando como pipoca, tomo sorvete e vou ao cinema.Mas o que realmente me faz feliz é olhar os campos verdes e as montanhas.Também fico feliz quando ouço o riso espontâneo das crianças e flagro um olhar apaixonado de meu marido.
Mas no geral, fico feliz no mundo perfeito imaginado por mim e que habito quando durmo. Invento situações que só existem no meu imaginário, mas durmo feliz dessa maneira.E lembrei que Da Vinci pintava máquinas que não ainda existiam e, Bethoven,  que era surdo, criou sons que reproduziriam a alegria da vida com a sua Nona Sinfonia.
A felicidade é algo realmente muito pecualiar, e chego a conclusão de que cada qual ainda encontrará o que lhe permite permear esse estado, ou adentrar sua porta vez ou outra.
E cada vez mais entendo que ninguém sabe de coisa alguma, ninguém sabe de nada.Só damos palpites a cerca de tudo.Eu mesma sou uma grande palpiteira.
Nem sempre sou feliz e  preciso aprender a cuidar melhor de mim mesma.Me cansa o riso fácil, o falatório bobo, a inércia da maioria...
Imaginei que com o tempo e o avançar da idade tudo iria ficar mais claro.E não me enganei.
Com o passar dos anos vão-se as necessidades banais, as ansiedades diminuem, e você passa a ter intolerância a afetações, besteiras e a todo tipo de gente que teima em ser o que não é.
Sou feliz sendo o que sou e o que construí.. Já posso fazer uma reflexão profunda e analisar meus legados e minhas aspirações.
Albert Camus disse que " Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos". Tardiamente quer dizer na velhice.Quero assumir antes de ficar velha demais para fazê-lo.
 Assumir tudo o que eu quiser e me fizer feliz.
Me lembrei de uma estória engraçada: Um homem vivia a guardar seu dinheiro embaixo do colchão e nunca se permitia comer queijo e geléia - seus favoritos- com medo de morrer na miséria por gastar dinheiro com o que ele considerava "luxo de pobre". Pois o tempo passou e esse homem morreu.Ninguem foi ao seu enterro e um garoto curioso em ver aquele túmulo sempre solitário e sem flores perguntou: " quem é aquele homem enterrado alí? " ao que o coveiro respondeu " Aquele homem? Aquele é o homem mais rico do cemitério".

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