terça-feira, novembro 23, 2010

EDUCAR X PROTEGER



12:40 horas


Olá meninos e meninas.
Tenho observado cada vez a seguinte cena: uma mãe caminha tranquilamente lambendo sua casquinha e logo atrás uma criaturinha urra e esperneia para desespero de todos os demais, menos da mãe.
Quando digo "mãe", é porque ainda não vi a mesma cena com o pai, mas já presenciei a mesma cena com ambos, o pai e a mãe juntos fazendo cara de coisa alguma e o rebento urgindo atrás.
Será que é de propósito?
Será que é proposital torturar os demais seres humanos do planeta com essas cenas ou será que é falta de quociente emocional, espiritual e de inteligência?
Sinceramente fico com a segunda alternativa com uma leve queda por incluir a primeira.
Estava voltando do supermercado, e este fica dentro do Shopping do meu bairro, quando ao longe ouvi:"quero pipoca, quero pipoca, queeeeroooooo, quero pipocaaaaaa" e conforme me aproximava do corredor de onde vinha esses gritos, o volume do agudo ia ficando mais insuportável.
As pessoas que vinham na minha direção, faziam caretas e olhavam insistentemente para uma moça loira alta que apreciava uma vitrine.
A criança logo surgiu, devia ter por volta de seis anos de idade e usava trancinhas. Em um dia normal eu diria que ela era uma fofa, mas naquele momento parecia o bebê de Rosemary crescido.
Ela devia gostar muito de pipoca, porque era a única coisa que ela ficava repetindo sem parar " quero pipoca, quero pipoca, quero pipoca", e tudo isso aos gritos de forma estridente.
Observando a mãe que tranquila e indiferente observava a vitrine de uma loja de bolsas, cheguei a pensar que talvez ela fosse surda, isso explicaria a sua indiferença.
Mas quando ela virou-se para a criaturinha e disse" pára de gritar Thalita", para depois novamente se distrair com as bolsas, percebi que ela não era surda, era só uma mãe imbecil.
Mãe imbecil é aquela que não educa seus filhos em casa, exercita a política da complascência o tempo todo, ou seja, não sabe impôr limites, e que, quando sai de casa e vai para a civilização não consegue se situar e percebe sua total ineficiência como mãe.Suas criaturinhas gritam e esperneiam, porque em casa essa postura irritante funciona- quem quer perder o capítulo da novela?- e usam do mesmo artifício fora dela.
Outra cena: uma mãe saindo do Shopping carregando uma mochila escolar e uma criatura que devia ter volta de uns oito anos aos gritos de " eu vou láaa, eu vou láaaaa, eu vou, eu vou láaaa", sendo que o "lá" no caso, era a vitrine de uma loja de brinquedos.
Essa mãe,  seguindo o "Protocolo das Imbecis", também fez cara de paisagem e seguiu caminho para fora do Shopping, enquanto que o irmão do bebê de Rosemary crescido cumpria o prometido: voltou e foi olhar a vitrine.
Pensei" não vou perder essa cena, quero ver o que vai acontecer", e fiquei observando.
A mãe,  passados alguns segundos retornou, foi até o menino e segurando seu braço cochichou alguma coisa em seu ouvido. Devia ser uma coisa muito terrível, tipo " vou chamar um exorcista", porque o menino começou a debater-se e a gritar terrivelmente, de tal maneira que o segurança do Shopping resolveu intervir.
Não tenho a menor idéia do que ele falou para a mãe e para o menino,mas funcionou e apesar de muito contrariado, o menino finalmente seguiu a mãe para fora do Shopping.
Tudo isso aconteceu no mesmo dia.Incrível? Que nada, era dia de semana, se fosse final de semana com certeza teria outras histórias parecidas para contar.
O que acontece com os pais?
Eu sei que criança não aprende de primeira, leva tempo, exige paciência e tolerância.
Criança ainda que entenda a mensagem disciplinar, acha que os pais tem que dar tudo o que querem e gostam de desafiar os adultos com cenas como as que acabei de descrever acima.
Ninguém precisa criar um batalhão de obedientes,mas em um mundo em que os pais se infantilizam a cada dia que passa e as crianças tornam-se adultas cada vez mais cedo, é preciso assumir a responsabilidade de amar,  educar de maneira persistente, com clareza e amor.
Crianças precisam ser amadas.E criança que recebe atenção e amor devido é muito mais receptiva aos valores familiares e noções de relação com os outros.
Existe desrespeito maior que o de não permitir que crianças sejam simplesmente crianças?
Claro que isso inclui explosões de caprichos, mas o que não dá prá suportar são mães que vivem a repetir "não aguento mais essa criança", "esse menino não tem jeito mesmo" e por aí vai...
Mais do que reclamações e acusações, os pequenos precisam de amor e da intervenção educativa dos seus pais.
É possível ensinar as crianças normas importantes para a convivência sem para isso desrespeitá-la com agressões físicas e palavras de violência.
O mundo mudou muito e os adultos e as crianças também, mas elas continuam a necessitar de presença cuidadora, reguladora, protetora e atenciosa.
Vamos refletir sobre isso e buscarmos maneiras dignas de educá-los.

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