segunda-feira, outubro 25, 2010

A BELA E A FERA

16:20 horas


Fico olhando os blogs na rede como uma escritora observa o mundo, qualquer palavra, qualquer vírgula, é uma possibilidade de post.
Mas preciso confessar que encontro muita mesmice e futilidade.
Blogs inteiros são dedicados a falar sobre a roupa da moda, o esmalte da moda, o último lançamento de Paris(como se fosse possível ir a Paris de metrô) e outras tranqueiras mais.
Vejam bem, eu adoro moda, adoro ver as tendências e acompanho os desfiles de moda, conheço os estilistas, sei diferenciar marcas e  inclusive já postei sobre muita coisa aqui.Mas será que só tem esse assunto?
Mas de qualquer maneira esse não é o nosso assunto.
Quero conversar com vocês sobre as intervenções cirúrgicas que de tão exageradas, transformam as pessoas em esboços do que já foram um dia.
Claro que não podemos ser radicais, se existe a possibilidade de fazer uma correção no nariz que te deixará mais segura, por que não? Ou aumentar um pouco os seios, atenuar as rugas..São muitas as opções e possibilidades para a cirurgia reparadora.
Mas a grande questão é saber o ponto em que a correção transforma você em outro ser. E muito pior do que o anterior.
Por que precisamos desesperadamente parecermos mais jovens do que de fato somos?
Acredito que para muitas pessoas a solução não está no consultório de cirurgia plástica, ou nas clinicas de estética,mas no divã no analista.
E alguns profissionais médicos percebem isso, mas preferem ignorar a ética médica e se concentram nas suas férias para Aspen que são financiadas por estas cirurgias.
Lembram do caso que citei da garota de quinze anos que dizia em um blog para godinhas odiar o próprio corpo?
Pois bem, as salas estão lotadas de meninas como estas, e no caso da classe média alta, incentivadas por mamães de cinquenta repaginadas para parecerem ter trinta.
Existem programas de televisão aos montes falando e mostrando as cirurgias reparadoras e reconstrutoras.
Programas em que crianças de cinco e seis anos de idade fazem bronzeamento artificial e depilação para ganhar concursos de Miss. 
Como manter sanidade com tudo isso?
Não a toa estamos gerando uma geração de débeis mentais, cujos ídolos usam calças coloridas e óculos de lente sem grau.
Para que pensar? Para que ler? 
Estamos vendo crescer um bando de garotos e garotas que acha o excesso um luxo, garotos que acham bonito sair por aí mostrando a roupa de baixo pra todo mundo ver, e nessa mão entra tudo que é futilidade.
Começa-se pela roupa medíocre, depois é o cabelo medíocre e daí para tudo o que é intervenção 
considerada necessária a pertencer a esses grupos de debilóides andantes. Que muitas vezes são os próprios pais.
Não raro encontramos meninos de 10 anos usando brincos ou meninas com os cabelos tingidos.
Precocemente inseridos nas neuroses dos adultos.
Adultos? Que adultos?





 




 







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