terça-feira, junho 22, 2010

Ser mulher


Olá meninos e meninas. Domingo fui até a manicure e estava com bastante pressa, ainda tinha mercado para fazer e depois ainda iria trabalhar. Mal me sentei e a manicure começou a desabafar. Estava muito cansada, me disse. Contou que era casada a 11 anos e que tinha um filho de 10. Foi dizendo toda a sua história, e entre uma tirada de cutícula e outra foi transcorrendo desde o dia em que conheceu seu marido, então com 17 anos, o aborto que ele obrigou que ela fizesse, o primeiro soco que tomou no rosto por não ter dinheiro suficiente para entregar ao dito cujo,as idas e vindas e a denúncia no Maria da Penha. E quando terminou, a grande dúvida que a acometia era se deveria ou não dar mais uma chance, ele prometia um recomeço novo. Confesso que fiquei um pouco chocada. Aquela mulher bonita, jovem e que estava em pleno domingo tirando minhas cutículas, ou seja, trabalhando, já tinha sido agredida física e moralmente, já tinha sido humilhada, traída e ainda assim tinha dúvidas se deveria dar uma nova oportunidade para o marido agressor. Era chocante. Percebi que ela ainda tinha ilusão sobre o tal marido, mas não podia me omitir, então disse a ela que tivesse coragem e seguisse em frente com o seu filho. No final,quando eu estava com mãos e pés feitos, ela me abraçou e agradeceu pelas palavras de apoio. Fiquei com aquela cena na cabeça pelo resto do dia. E aí aconteceu algo mais inesperado ainda. Estava com meu marido olhando umas coisas no supermercado quando ouvi um resto de frase que dizia o seguinte : "......pois é menina, não sei o que fazer, ele é o pai do meu menino, mora lá em casa, mas não vale nada não, me trai com qualquer rabo de saia...". Essa conversa, eu juro meninas e meninas, ouvi entre duas vendedoras. Ainda quis ficar fazendo uma horinha pra terminar de ouvir o assunto,mas meu marido, indiferente ao que acontecia, saiu andando, e a mim,envergonhada por ficar ouvindo assunto que não me pertencia, só restou ir atrás e comentar : " você ouviu??" e ele " o que?". Também percebi que as mulheres tem um ouvido aguçado para ouvir conversa alheia em mercado, enquanto os homens parecem muito mais preocupados com outras coisas. Mais vergonha. Mas enfim, o que me chamou a atenção foi o enredo idêntico, a única diferença ali era os nomes dos personagens. Por que nós mulheres nos permitimos passar por este tipo de situação? Pensei em várias respostas,mas nenhuma me satisfez totalmente. Pensei que falta de instrução e educação reflete em falta de informação, que reflete em falta de conhecimento sobre os nossos direitos. Pensei que crescer em lar desfeito, sem amor de pai ou de mãe e sem carinho, produz adultos carentes de afeto, que focam suas necessidades na primeira pessoa que lhes dá um beijo, e se o preço do beijo for um tapa, ou uma traição, o que importa? E pensei ainda nas pessoas que tiveram tudo, educação, instrução, amor de pai e mãe, mas ainda assim se submetem a todo tipo de humilhação por absoluta falta de amor próprio. São aquelas pessoas que não aprenderam a amar e se perderam no meio do caminho. E aí cheguei a conclusão de que trata-se de um pouco de tudo talvez.. Vocês sabiam que o número de mulheres infectada por HIV é de 16 mulheres para cada 10 homens infectados? Alguns companheiros obrigam suas mulheres a dispensar o uso da camisinha, espancadas e humilhadas muitas temem pedir para que seus parceiros abandonem um comportamento sexual promíscuo ou usem preservativos. São espancadas, infectadas e abandonadas. A violência não é um problema de baixa escolaridade, mau caratismo não tem graduação. E ainda existe a traição masculina, que faz com que muitas se sintam culpadas e vejam a diminuição do seu desejo sexual. É preciso entender que a responsabilidade da traição é de quem trai, e que cada um é responsável pelos seus atos, e sabe que tudo na vida tem suas conseqüências. Minhas meninas queridas, quero insistir carinhosamente para que vocês pratiquem o exercício do amor próprio diariamente. Quem ama a si mesmo entra em sintonia com o universo no que ele tem de melhor, e tudo flui de na sua vida. É preciso esforço, muito esforço mesmo, mas a centelha divina produz milagres incríveis, basta acreditar e se amar, muito. Vou terminar com a frase célebre de uma mulher que admiro e que se chamava Simone de Beauvoir : Não se nasce mulher, torna-se mulher."




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