terça-feira, junho 22, 2010

NÓS, OS FANÁTICOS.



Olá meninos e meninas.
Dia dessses amanheci boleira.
E foi num dia desses bem distante porque eu realmente não me lembro quando foi....Sei que quando era pequena gostava de jogar tudo o que tinha bola: queimada, volei, futebol e até ping-pong. Lembro também de subir em árvore só para olhar a vida das alturas e tentar achar a bola que invariavelmente teimava em cair sempre na casa do vizinho. Lembro de ouvir histórias da minha mãe sobre o meu avô ter jogado no Corinthians e de como era divertido e simples tudo isso. Nada de contratos milionários, nem maria chuteiras. Só um bando de homens imigrantes que jogavam em um clube do bairro sem nenhuma sofisticação e ainda só o "Curintia". Meu pai, minha mãe e meu irmão torciam para o tal Curintia como quem torce para um amigo querido, que toma café e frequenta a nossa casa, assim como também desfilavam na escola do "seu Nenê da Vila Matilde". Aliás, meu avô era tamanqueiro, profissão que executava com orgulho desde os tempos de Trás os Montes e fazia tamanco prá tudo o quanto é tipo de gente, desde o povo do Curintia até do seu Nenê. Já minha irmã, meus avós, pais da minha mãe e meus tios eram "Parmera", ou Palestra ou Palmeiras, como queiram. Lembro de ficar na rua até escurecer jogando queimada, na rua de terra lá bem distante daqui. E de jogar futebol feito moleque também. Ninguém ligava se eu parecia moleque e nem ficava preocupado se isso poderia interfirir na minha escolha sexual, porque quando eu era pequena, todo mundo era moleque. Cresci achando a coisa mais normal do mundo assistir a uma partida de futebol e xingar o juiz quando ele inexplicavelmente insistia em apitar contra o meu time. E também cresci achando muito lindo se emocionar ao ver o meu time de coração conquistando um título, seja lá qual for, pode até ser da segunda divisão. E a seleção brasileira? Quando a seleção canarinho jogava era praticamente feriado nacional. Impossível não assistir.. Todo o bairro se unia para comprar tinta e decorar as ruas.Nessa hora não tinha inimizade com vizinho que resistisse, nessa hora todo mundo virava amigo. E me lembro de chorar quando apesar do golaço do Falcão, aquele maledêto do Paulo Rossi acabou com uma seleção perfeita. Era 1982 e ainda parece que foi ontem... Na minha casa todo mundo ama futebol, mesmo, de verdade. E existe até um calendário. Toda quarta é dia de jogo. Pode ser o XV de Piracicaba X Arapiraca, a tv apesar dos seus 999 canais, fica sintonizada no jogo. Nem ligo, na verdade eu gosto, porque acredito que o futebol tem um dom maravilhoso. Ele une as pessoas. Ele não vê raça, cor, credo, ideologia política, nadinha mesmo. É só paixão. E ainda tenho a sorte de ter nascido no país que tem o melhor futebol do planeta. E se você que está lendo discorda, é porque não entende nadinha de futebol. Agora estamos novamente em uma copa do mundo, e eu fico com taquicardia quando a seleção entra em campo, se marca gol então, saio pulando no meio da sala e sou capaz de tascar um beijo na boca do meu gato Mustaphá se ele estiver por perto. Na verdade meu gato tem poderes mediúnicos, porque quando começa o jogo ele já sai da sala de fininho... Eu não quero saber se as estatísticas apontam prá essa ou aquela seleção, ou se o técnico é burro ou não, até porque a gente sempre acha que ele é. Eu só quero torcer pela camisa amarela. E gritar gol. E se a gente perder, vou ter que apelar para Stanislaw Ponte Preta:"Quem diz que futebol não tem lógica, ou não entende de futebol, ou não sabe o que é lógica"...




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